sábado, 21 de fevereiro de 2009

Três meses

Eu acho que não é todo mundo que tem esse tempo todo para curtir férias. Na verdade, eu podia não ter. Foi minha opção. Então decidi que aproveitaria.
O que é aproveitar?
Não tenho dinheiro, sinceramente, então não deu para visitar o Grand Canyon desta vez. Mas eu não tenho do que reclamar.

Eu fui para São José dos Campos, para Piracicaba, para a Praia Grande e para São José dos Campos de novo.
Eu assisti muitos filmes bons - alguns dos quais estão me fazendo rir até agora.
Eu passei muito tempo jogando The Sims e baixando séries. E gostei disso.
Eu li muito.
Eu fiz uma oficina infantil no Centro Cultural São Paulo.
Eu fui a cinco museus diferentes.
Eu fui à formatura da minha amiga e dancei mais do que nunca.
Eu risquei itens da minha linda e enorme lista de metas.
Eu pedi licença para entrar no mar e me perdi olhando o pôr-do-sol.
Eu revisei textos tentando me adequar à nova ortografia.
Eu levei minha irmã ao cinema e fiquei tonta graças a um óculos 3D.
Eu me emocionei por causa de um monte de fogos de artifício.
Eu fiz um bolo que ficou ruim.
Eu tive um dia em que muitas coisas deram errado e em que, ainda assim, eu não pude ficar de mau humor.
Eu fiquei rindo enquanto observava duas pessoas tentando acender uma churrasqueira.
Eu joguei Guitar Hero. =]
Eu visitei vários amigos.
Eu passeei com vários amigos.

Eu peguei carona às quatro da manhã num carro com outras seis pessoas. E ri durante todo o percurso, sem ter ingerido um gole de álcool.
Eu joguei Twister.
Eu joguei tinta em algumas seletas pessoas.
Eu parei para admirar o céu do lado de alguém que eu amo, quando estávamos com muita pressa. Mais de uma vez.
Eu vendi cerveja de 269mL por R$1,50 sob a justificativa de que "É a crise...".
Eu amei, ri e chorei.
E eu almocei sorvete mais de uma vez.

Resta mais uma semana de férias. E eu não pretendo deixá-la passar em branco.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Os ônibus tiram sarro de mim

Eu lembro do tempo em que eles me davam "bom dia" pela manhã. Mas esse tempo já passou.

Eu estou esperando para atravessar a avenida e chegar ao ponto. Lá do outro lado, longe do meu alcance, vejo passarem um ônibus laranja e um azul. Espero que não sejam os meus.
Atravesso. Espero.
Vários ônibus passam:
Casa Verde.
Circular.
Casa Verde.
Casa Verde.
Para quê tantos Casa Verde?
Pça da Sé.
Casa Verde de novo.
A porcaria do Tucuruvi não passa nunca!
Chega mais um ônibus azul. Tucuruvi. Beleza.
Boa tarde. Boa tarde.
Sento lá no fundo. Abro um livro. Leio.
Ainda bem que eu trouxe um livro hoje. É muito chato olhar pela janela todo dia, pelo mesmo caminho.
Por falar nisso, onde será que eu estou?
Olha pela janela.
CARAMBA, ONDE É QUE EU TÔ?!
Teodoro Sampaio, diz uma voz na minha cabeça. Ou talvez tenha sido uma placa mesmo.
Okay, Teodoro. Que diabos estou fazendo aqui?
Pergunta para o cobrador.
Este ônibus passa no metrô. Estou salva.
Que metrô?
Clínicas.
Cai a ficha. Eu não acredito.
Este não é o Tucuruvi. É o Casa Verde.
Eles estão de brincadeira comigo.