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Um dia desses li em um livro que as pessoas esperam em New York a mesma hospitalidade que receberam em Orlando, e que é por isso que elas se sentem mal na Grande Maçã.
É gostoso quando a gente lê uma referência dessas, com duas cidades famosas, pontos turísticos mundiais e pensa "ha, eu já estive nesta aqui", e também "ha, eu sei do que ele está falando". Porque eu senti e recebi a hospitalidade de Orlando.
Um dia desses me peguei pensando nisso, revendo mentalmente conversas, bem rápidas, que tive com os funcionários e atendentes dos lugares em que estive durante minha viagem. E percebi como tudo naquele lugar é absurdamente marcante - até mesmo esses papos rápidos, tudo contribui para o seu "Dream Come True".
São lembranças bobas, que emocionam só a mim - e talvez a alguém que tenha também viajado para lá. Mesmo assim, gosto de revê-las e comentá-las, com quem estiver afim de ler.
Teve por exemplo a moça fofa da loja do hotel, que não queria me vender um cartão telefônico, simplesmente porque para uma ligação internacional ele duraria muito pouco e ela não queria que eu desperdiçasse meu dinheiro. Ou o rapaz italiano que usou comigo várias palavras em sua língua nativa, mas que falou em inglês com a minha amiga (que sabe italiano).
Eu nunca esqueço do menino que me atendeu numa loja do Magic Kingdom. Ele devia ser mais novo que eu, uma carinha nova, feliz e cheia de espinhas. Teve uma conversa rápida sobre por que o meu botton de "1st visit" era da edição antiga (é emprestado de uma amiga) e, na hora de embalar o pinguim de pelúcia que eu comprava, quis colocá-lo numa sacola pequena demais. Quando percebeu que o boneco não entraria inteiro, deixou-o com os bracinhos e a cabeça para fora e me deu um sorriso de "olha, ficou engraçadinho".
Esse foi um funcionário fofo entre muitos com quem falei no Magic Kingdom - com o tempo, você percebe que na Disney não se diz "Good Morning" e sim "Hello", e que no Magic Kingdom a despedida mais usada é "Have a magical day!" (geralmente, uma sugestão aceita e seguida).
"No appetizers today?" é uma frase que eu me lembro na voz simpatissíssimo garçon do Planet Hollywood, no Downtown Disney. Essa e "Are you two sisters?" (acho que ouvi essa pergunta umas cinco vezes nessa viagem). Infelizmente, não me lembro do nome dele, embora eu goste de pensar que era Greg. Tampouco me lembro da frase que ele usou para perguntar se eu estava gostando do meu milkshake, mas lembro muito bem da resposta "YES!".
Teve também a Chantal, do hotel, que sorriu quando eu disse que gostava do nome dela. Ou a moça do oeste do país que estava atendendo a todos carrancuda, com cara de "it's not a magical day", até que eu perguntei de que estado americano era a sigla em seu crachá e ela desembestou a me falar sobre como era legal o lugar de onde ela vinha.
Na Universal também teve funcionários simpáticos, como o senhor da loja da Múmia, que começou a ensaiar um português estranho quando dissemos de onde vínhamos - "Tchau, amigo, obrigada!" (num sotaque americano, num senhor gordinho, isso fica uma graça).
E as meninas do Hard Rock Cafe - uma tentando obstinadamente convencer os brasileiros a dançar YMCA (comigo ela não precisou insistir muito) e outra nos contando sobre a área de shows e a sala do John Lennon, enquanto usava uma curiosa tiara de unicórnio.
Teve esses e outros, todos solícitos demais, simpáticos demais, sempre contentes em te atender, em estar ali, em fazer parte daquilo. Todos parte da magia. Todos parte da minha viagem.
Principalmente a Lilian - a moça que arrumou as nossas camas todos os dias e ainda deixou um bilhete de despedida quando fomos embora, terminando em "God bless you".
Memorável.

Gatos são como bebês. Só que mais legais.
Eles falam com você quando você está ocupada. Mas daí eles entendem que você está ocupada, deitam do seu lado e esperam quietinhos até que você possa dar atenção.
E então eles falam com você de novo. Mas, como bebês, eles não falam na sua língua. Você precisa decrifrar o que eles querem - porque outro ponto em comum é que eles geralmente só falam quando precisam de algo.
Mas eles sabem te mostrar o que eles querem. De alguma forma, eles conversam com você. Eles te entendem e se fazem entender. E às vezes, olhando nos olhos deles, você tem a sensação de que eles são exatamente como você, mas em um corpo diferente, com condições diferentes.
E por isso, mas não só por isso, eles te encantam.
Falar de gatos sempre nos faz parecer aquela velha solitária que tem pelo menos vinte em casa (e que vive só com eles, nem pensar em ficar com outros seres humanos). Assim como falar de bebês sempre nos faz parecer aquele personagem que tira as fotos dos filhos da carteira quando você pergunta (só por educação) sobre eles.
Amar gatos é algo que só se entende quando se ama gatos.
Apenas um motivo pelo qual eu as evito:
[no ponto de ônibus, na USP]
- Você trabalha aqui?
- Não, estudo.
- Direito?
- Não, Editoração.
- Ahhhh! "De coração" é bom, né, tem cada vez mais gente morrendo de infarte no Brasil.
- *morrendo de vergonha* É um problema, né?
- O meu pai mesmo morreu do coração... [relato sobre o que aconteceu ao pai dele] Alguns dizem que é genético, alguns dizem que não... é genético? *cara de quem está perguntando para uma especialista*
- Pois é, cada hora falam uma coisa, né... opa, chegou meu ônibus. Tchau!
Qual será que é o problema em não querer conversar com estranhos na rua?
Errado não é fugir das pessoas, errado é ficar importunando-as com papo-furado do tipo "nossa, que chuva, né?" em pleno temporal de verão em São Paulo.
Eu pareço um ímã para esse tipo de gente, sabe, que quer puxar conversa nas filas ou no ônibus a todo custo. E andar com um livro não adianta - só me deixa mais irritada, porque ninguém respeita um apreciador da literatura tentando se distrair.
Pelo menos o escritório novo não tem acessorista no elevador.
Terminei o post sentindo que soei mesmo muito antipática. Bom... c'est la vie!
Vou registrar a lista aqui só porque assim que virar o ano eu a apago da coluna ao lado. ^^Os filhos de Anansi, de Neil Gaiman.
Laranja Mecânica, de Anthony Burguess.
A forma do livro, de Jan Tschichold.
Artemis Fowl - O paradoxo do tempo; de Eoin Colfer.
Amanhecer, de Stephenie Meyer.
O triste fim do pequeno Menino Ostra, de Tim Burton.
Harry Potter and the Sorcerer's Stone, J. K. Rowling.
A menina que roubava livros, de Markus Zuzak.
A cidade do Sol, de Khaled Hosseini.
As bodas de Fígaro, de Beaumarchais.
Eclipse, de Stephenie Meyer.
Duas narrativas fantásticas - A dócil e O sonho de um homem ridículo; de Dostoiévski.
O Evangelho segundo Jesus Cristo, de José Saramago.
Olhai os lírios do campo, de Erico Verissimo.
Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago.
Os contos de Beedle, o Bardo; de J. K. Rowling.
Lua Nova, de Stephenie Meyer.
Eles não exageraram quando disseram que aquele é o lugar onde os sonhos se tornam realidade.
Ir para a Disney é se tornar criança de novo. É deixar o queixo cair centenas de vezes durante o dia. É repetir milhões de vezes "olha que lindo!".
É chorar de emoção ao ver o castelo. É chorar de emoção ao assistir um filme. É chorar de emoção ao ver um show. É chorar de emoção ao ver uma árvore esculpida.
Ir para a Disney é ser feliz todos os dias. É não querer se preocupar com porcaria nenhuma, porque nada, nada pode estragar aquele momento.
Ir para a Disney é ter certeza de que tudo à sua volta é real, é de repente acreditar mais naquele mundo fantástico do que em qualquer outra coisa que você já tenha visto. É participar de muitas aventuras diferentes no mesmo dia - viajar por vários países, sobrevoar a Terra do Nunca, atirar em alienígenas, fazer um safári, fugir de dinossauros - e se jogar de corpo e alma em cada uma delas.
Ir para a Disney é ver as coisas mais bonitas acontecendo, como quando uma criança vê a Bela e a abraça, da forma mais confortável, feliz e confiante que se pode abraçar alguém. Não como se fosse um ídolo ou um sonho, mas simplesmente como se aquela princesa fosse uma velha amiga que te traz muita alegria.
Voltar da Disney e se lembrar dessas coisas às vezes parece inacreditável. Às vezes, não. Às vezes simplesmente te dá uma sensação incrível de acolhimento. Acho que foi o mesmo que o menino sentiu quando abraçou a Bela.
Alguns fatos sobre as pessoas nos Estados Unidos (os asteriscos indicam os fatos que eu acredito estarem relacionados especificamente ao fato de as pessoas estarem na Disney):
- Todo mundo está feliz. Todo mundo.*
- As crianças americanas fazem as mesmas brincadeiras que as brasileiras (como aquela de bater duas vezes na perna e depois fazer um sinal de proteger-se, carregar a arma ou atirar, sabe?).
- Eles pedem desculpas quando esbarram em você. Os únicos que encostaram em mim e não pediram desculpa eram do meu grupo.
- Os vendedores não te pedem ajuda com o troco. E te dão o troco inteiro, inclusive as moedas de 1 centavo.
- Os vendedores estão de bom humor.*
- Eles dançam quando ouvem YMCA. Só o refrão e sentadinhos mesmo, num intervalinho na refeição, mas dançam.
- Eles comem muita porcaria. Sem remorso algum, dão coxas enormes (de frango, de porco ou sei lá) para as crianças comerem.
- Eles brigam com o gerente e se viram para a coitada da brasileira ao lado exclamando "Six dolars is six dolars!!!".
- Muitos deles são gordos. Mesmo. Às vezes eles usam carrinhos para se locomover. E às vezes se parecem exatamente como aqueles personagens de Wall-E.
- Eles te encantam quando você percebe que, apesar de qualquer diferença, eles sorriem igualzinho a você quando veem o Mickey.