segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Disney - parte 2: As pessoas
- Todo mundo está feliz. Todo mundo.*
- As crianças americanas fazem as mesmas brincadeiras que as brasileiras (como aquela de bater duas vezes na perna e depois fazer um sinal de proteger-se, carregar a arma ou atirar, sabe?).
- Eles pedem desculpas quando esbarram em você. Os únicos que encostaram em mim e não pediram desculpa eram do meu grupo.
- Os vendedores não te pedem ajuda com o troco. E te dão o troco inteiro, inclusive as moedas de 1 centavo.
- Os vendedores estão de bom humor.*
- Eles dançam quando ouvem YMCA. Só o refrão e sentadinhos mesmo, num intervalinho na refeição, mas dançam.
- Eles comem muita porcaria. Sem remorso algum, dão coxas enormes (de frango, de porco ou sei lá) para as crianças comerem.
- Eles brigam com o gerente e se viram para a coitada da brasileira ao lado exclamando "Six dolars is six dolars!!!".
- Muitos deles são gordos. Mesmo. Às vezes eles usam carrinhos para se locomover. E às vezes se parecem exatamente como aqueles personagens de Wall-E.
- Eles te encantam quando você percebe que, apesar de qualquer diferença, eles sorriem igualzinho a você quando veem o Mickey.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Disney - parte 1: Os sentidos
foram todas as músicas dos filmes que me encantaram a vida toda - desde High School Musical até O Rei Leão, passando por Toy Story, Jurassic Park e até O Corcunda de Notre Dame. Foram crianças falando inglês ("Mommy, is that you?!"), vendedores se despedindo com "Have a magical day!". E, principalmente, regras de segurança ("Please remain seated with hands, arms, feets and lags inside the vehicle") e de comodidade ("All the way down guys, fill all the empty seats, don't stop at the middle!").
O que eu cheirei
foram hambúrgueres e batatas fritas. Aos montes. Mas também o cheiro delicioso do meu quarto (cheiro de ar condicionado, edredons gostosos e biscoitos do Wal-Mart) e da vegetação abundante. Também senti cheiro de cavalos e hipopótamos, mas esta parte não foi muito agradável.
O que eu degustei
foram mais hambúrgueres e batatas fritas. Sempre em maior quantidade do que eu podia aguentar. Por vezes houve também salada com frango e até comida italiana, francesa e inglesa, num dia atípico. E muita, muita Coca-Cola.
O que eu senti
foi muito calor, seguido de muito frio quando eu entrava em qualquer ambiente fechado, a ponto de a sensação de choque térmico não mais existir como um choque propriamente dito. À noite, o calor era gostoso, o ar úmido e agradável de noites bonitas de verão. E, é claro, muito vento no rosto nos momentos em que eu estava gritando e sendo movida em alta velocidade.
O que eu vi
foi isso:
terça-feira, 6 de outubro de 2009
O rádio
Todos os dias.
Geralmente era Heal the World.
Hoje eu ouvi Elton John. Song for guy.
Comecei a brisar.
Se o Elton morrer, vou começar a ouvir funk.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Bipolar
E o mundo lá fora. Quando eu saí, fazia sol e, por um momento, eu me senti bem com o calor que eu comumente abomino. Depois do sol, vinha o ar agradável sob as árvores, que naquele lugar parecem todas pactuar para crescer entortando em direção à passagem, formando na pele da gente aquelas sombras que parecem desenhos de caleidoscópios. Me senti tão bem.
sábado, 5 de setembro de 2009
Projeto de drabble
Escrita para o Challenge de Drabbles do fórum 6V. Limite de 400 palavras, a minha tem 357. Ainda em fase de adaptação, aceito sugestões e críticas.
- Eu vou contar para a mamãe!
Ele correu escada abaixo, sentindo antecipadamente o prazer de entregar os irmãos.
Fred gritou, um degrau sumiu, Percy caiu.
Um joelho ralado, o choro, duas vozes idênticas.
- Bem feito!
- Seu nariz ‘tá com defeito!
E a garotinha ruiva, ainda usando fraldas, veio em sua direção, assustada com as lágrimas do irmão. Sentou-se ao seu lado, beijou seu joelho. E abraçou sua perna com força.
- Não chola, Pechy!
Montes de crianças e malas.
Correria e gritaria.
Tudo novo e empolgante.
Gui e Carlinhos procurando os amigos, Percy orgulhoso - de si mesmo.
O trem apitou, a mãe desabou.
Deu-lhe o abraço mais apertado e os beijos mais molhados que ele já recebera até então.
- Escreva para mim, querido! E comporte-se!
Percy obedeceu. As duas ordens.
Gina saiu da sala, após jurar fidelidade. O casal se olhou assustado. Os olhos dela se encheram de lágrimas.
A culpa era dela. Não era. Era. Não era.
A menina ia guardar segredo. Não ia. Ia. Não ia. Ia.
- Eu te amo.
Ela ergueu os olhos para ele, assustada. Percy sentiu as orelhas queimarem e o coração inflamar. Mas não desviou o olhar.
Penelope sorriu. Ainda com os olhos vermelhos, enterrou a cabeça em seu peito e o abraçou.
Estava escuro lá dentro, ele fechou a porta do dormitório e as cortinas de sua cama. Não podia acreditar, não podia suportar.
A vida sem Penelope era sem cor.
Mas umas mandrágoras resolviam.
A vida sem Gina era vermelha.
E nada resolveria.
Seus olhos, a cortina da cama, seu nariz.
Vermelhos.
Ele tinha brigado com a irmã naquela manhã.
Palavras e mais palavras, daquelas difíceis que Percy gostava de usar. Sobre consideração, confiança, vergonha, decepção, fardo. Todas as palavras que ele encontrou no seu acervo de mágoas instantâneas.
E agora ela se fora.
Primeiro Penelope, depois Gina.
Elas foram e a mãe estava vindo. Ele não conseguia imaginá-la. Não queria pensar nela.
Uma lágrima rolou por seu rosto, ele não sabia por qual das três.
Ele daria qualquer coisa por mais um daqueles abraços.
Mas, hoje à noite, só teria as lágrimas.
Agradeço à fofa da Pam pela betagem. ^^
sábado, 29 de agosto de 2009
A conversa dos outros
Eu mesma, 3 de julho de 2009.
A começar por duas meninas a caminho da USP:
- Ah, não, aquela lá...
- ... ela não sabia nem diferenciar uma veia de uma artéria!
E as duas riram, muito divertidas.
Uma mãe, no metrô:
- Continua fazendo isso que você vai ver, quando tiver a minha idade, como você vai estar.
A filha, lá pelos seus 13 anos:
- Quando eu tiver a sua idade eu não vou estar mais nessa vida, não, eu vou casar com um homem bem rico e vou andar só de carro.
A amiga da filha:
- Já pensou, um homem rico, moreno de olho verde? Você tava feita!
Uma mulher conversando com a amiga atrás de mim:
- O meu namorado eu conheci lá na Indianópolis. Eu tava fazendo meu ponto quando ele passou e eu disse 'vou naquele'. A [fulana] disse 'mas ele não está nem de carro!' e eu respondi 'ah, minha filha, tenho que trabalhar'.
Para quem não é de São Paulo, Indianópolis é uma avenida com muita prostituição.
Um grupo de amigos conversava no fundo do ônibus, quando a única menina do grupo começa um verdadeiro interrogatório com um deles:
- !!! Você está pegando alguém?!
- É.
- Por que você não me contou? Quem é?
- Ah, uma mina aí...
- Ah, me conta quem é!
- Não...
- Conta, vai! Conta! Conta!
- Hm...
- Posso tentar adivinhar?
- Hm...
- É alguém que eu conheço? Tá na nossa sala? Como ela é?
Aqui não parece tão irritante, mas o interrogatório durou bem uns dez minutos. Eu tive muita vontade de socorrer o coitado do menino.
Um cara, para uma menina que esperava para descer, se segurando como podia enquanto o ônibus fazia suas rotatórias:
- Essas curvas são traiçoeiras, não?
A menina sorriu para ele, provavelmente reconhecendo um colega ou amigo que não tinha percebido ali.
- Quem fez essa USP não pensou nos ônibus, viu... - continuou ele.
Uma menina no ponto de ônibus falando mal das princesas da Disney:
- Não é só a Bela Adormecida, são todas. É uma mais ridícula que a outra, é a coisa mais machista que eu já vi na vida. A Bela então é terrível.
Eu já fiquei espantada e esperando o que diabos ela podia ter para falar da Bela.
- Imagina, tem um trecho da música que ela fala assim: *cantando* 'Madam Gaston, casar com ele. Madam Gaston, mas que horror. Jamais serei esposa dele, eu quero mais a vida do interior'. É uma mulher totalmente sem perspectivas!
Eu concordaria com a menina, mas não é isso que a Bela fala. Ela diz 'eu quero mais que a vida no interior'! Se tem uma princesa da Disney sem perspectiva na vida, com certeza não é a Bela. Que raiva, que vontade de gansar na conversa da menina!
Um cara sentado ao meu lado, falando para o outro:
- A diferença entre os seres humanos e os animais está na forma como fazemos sexo.
Duas amigas no ponto de ônibus:
- Às vezes uma mulher monogâmica, o marido dela transa com uma puta e ela pega AIDS. E eu, transando com cinco pessoas por ano e usando camisinha, não posso doar sangue! Fiquei puta!
- Mas você não pode mentir?
Agora não lembro de mais nenhuma conversa... mas já dá para vocês terem noção.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Ela disse adeus
Ela disse adeus e não chorou. E ela tinha muito, muito amor.
Okay, na verdade ela não disse adeus. E nem eu. Porque adeus é muito triste. A gente disse tchau. Porque muito em breve nos veremos de novo.
Na hora, eu não fiquei triste. Eu estava ocupada demais pensando em como ela merece isso. Em como ela merece todas as experiências boas que a vida puder lhe proporcionar. Estava ocupada demais sentindo o carinho de seus abraços pela última vez em um ano.
Foi apenas ontem que a fixa caiu. Quando eu descrevia a minha amiga para alguém que provavelmente não vai conhecê-la. Eu falei da sua alegria e do seu charme. Eu pensei no seu sorriso e em como ela obriga todos ao redor a se apaixonarem por ela.
Foi a primeira vez em que fiquei triste por ela não estar aqui comigo. Não foi uma tristeza cem por cento. Eu sei que ela vai voltar muito chata e vai ficar mais chata ainda quando entrar na faculdade, e sei que eu deixarei de amá-la automaticamente quando isso acontecer.
Mas, por hora, eu ainda adoro aquela menina e não posso deixar de sentir falta dela.
Eu realmente espero que ela seja muito, muito feliz.