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Ela está montando uma pirâmide de cartas. Uma enorme pirâmide de cartas. Ela coloca cada uma com cuidado, sem pressa, tentando não errar. Quando alguém passa por perto, ela se assusta e tenta, de toda forma, proteger sua pirâmide. Ninguém pode se aproximar dela. Ninguém tem o direito de derrubar aquelas cartas.
Mas por que ela se preocupa tanto, afinal? É só uma pirâmide de cartas. Se cair, ela pode muito bem se ocupar com outra coisa. Ler um livro, assistir tevê. Então por que diabos a pirâmide é tão importante?
É importante para ela porque ela se dedicou e se esforçou, ela trabalhou para posicionar cada cartinha daquele baralho.
Às vezes eu tenho medo de derrubar a pirâmide.
Desculpem-me os que gostam de futebol, mas para mim certas coisas são inaceitáveis.
Mais de uma vez, andando no metrô, eu já parei para ler camisetas alheias - afinal, todo mundo adora ler camisetas com dizeres garrafais, só para saciar a curiosidade. E, mais de uma vez, eu li um "Eu nunca vou te abandonar" seguido do símbolo do Corinthians. Que vontade eu tenho de empurrar essas pessoas na linha do metrô.
Não por elas serem corinthianas. Elas podiam torcer para o São Paulo, o Palmeiras ou o Clube Atlético Mineiro. Mas... "eu nunca vou te abandonar"?! Ah, tenha dó. É ridículo.
Primeiro, porque o Corinthians decididamente não liga se você vai abandoná-lo ou não. Sério. Juro para você que, se você decidir virar palmeirense, o técnico do Corinthians não vai cortar os pulsos.
Segundo, porque eu não me conformo que as pessoas sejam ignorantes a ponto de acreditar nessa palhaçada toda. Corinthians na segunda divisão, na primeira, no quinto dos infernos... isso se chama pão-e-circo, e é uma política que distrai o público desde a Roma antiga. Como assim ainda funciona?
Terceiro, porque as pessoas fazem campanha para que o Corinthians não seja abandonado em vez de fazer campanha para que animais ou crianças não sejam abandonados. Se todo mundo desse mais valor à vida do que à porcaria do futebol, talvez nós estivéssemos um pouco mais evoluídos e menos miseráveis.
Às vezes eu acho que estou vivendo um daqueles pesadelos meus em que o mundo inteiro enloqueceu e só eu percebi. Ou será que quem está ficando louca sou eu?
Janeiro + Fevereiro de 2008.
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Princípio de Sócrates que defende que a vida que vale a pena ser vivida é a vida que se vale por ela mesma.
A vida é eudaimônica quando você estuda não para passar de ano na escola, mas porque adquirir conhecimento te dá prazer. Quando você toma banho não simplesmente para ficar limpo, mas porque tomar banho é uma delícia. Quando você conversa com um amigo não porque essa conversa vai acrescentar algo à sua vida, mas porque você se sente bem conversando com esse amigo. Quando você ama alguém não por esperar que essa pessoa retribua seu amor, mas porque amar te mantém vivo.
Sua vida é eudaimônica?
Há dias em que a gente acorda se sentindo feia.
Não sei quanto a vocês, mas comigo isso só acontece aos domingos. Não todos os domingos. Mas quando acontece, é sempre domingo.
São aqueles dias em que o cabelo não fica do jeito que você quer. As unhas estão feias e você olha no espelho e percebe o resultado daquele almoço no McDonald's, aparecendo de preferência em forma de gordurinhas localizadas - na coxa ou na barriga, você escolhe.
- Mas, Penny, eu sou magra de ruim. Não tenho problema com isso, não.
Magra ou não, eu tenho certeza de que, num dia de feia, você se olha no espelho e vê algum problema. Não tem escapatória. Dia de feia é dia de feia.
Okay, você não pode fugir do momento meu-Deus-como-eu-estou-horrorosa-vou-me-trancar-no-quarto-e-
só-aparecer-em-público-com-um-saco-de-papelão-na-cabeça, mas pode se acalmar e ajudar esse momento a acabar mais cedo.
Tome um banho.
Há, frase famosa de Cedrico Diggory.
Mas não, não estou te chamando de porca, tampouco dando em cima de você. Só estou dizendo que, em horas como essa, o que você pode fazer é passar uma hora inteira embaixo do chuveiro. Lave o cabelo duas vezes, como recomenda a embalagem do xampu; depile suas pernas da forma mais caprichada que puder; depois passe hidratante nelas. E faça as unhas.
Se você não se achar mais bonita, talvez pelo menos os outros achem.
Comigo funciona.
"São nossas escolhas que revelam o que realmente somos, muito mais do que nossas qualidades."
Agora eu entendo muito bem o que Dumbledore disse.
Há algum tempo, eu pensava que o pior sentimento do mundo era o arrependimento. Hoje, já não me arrependo dos meus atos, tenho consciência de que toda e qualquer experiência é um aprendizado. O sentimento que tomou lugar desse na minha lista negra foi a decepção. Principalmente quando você se decepciona com alguém que não tem arrependimento.
Eu conheci alguém que fez más escolhas. Mas essa pessoa já tinha péssimas qualidades. O difícil é ver gente boa fazendo escolhas ruins. Gente que tem tudo para brilhar e age como se não soubesse disso. Você até mostra à pessoa o caminho certo. Ela experimenta esse caminho, vê que tudo nele dá frutos bons. Você chega a ter orgulho dessa pessoa. Mas, quando você menos espera, descobre que ela continua fazendo escolhas erradas. Como se não acreditasse em si mesma. Como se não acreditasse no que você mostrou para ela, como se não desse valor para quem a ama e quer o seu bem.
Então você precisa aprender a fazer suas próprias escolhas, com base nas do outro. Não as escolhas que te fazem feliz, mas as que ao menos te fazem parar de sofrer.
É a vida.
Desculpem, mas eu precisava desse desabafo.
Não é nenhum apelo contra a vida urbana ou o desmatamento da Amazônia. É só uma recomendação. Corra pelo gramado e sente-se sob a sombra de uma árvore de vez em quando. Para mim, faz toda a diferença do mundo.
É um post bobo, eu sei. Bem-vindos ao novo Mosague.