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Sabe quando você gosta muito de fazer uma coisa, tanto que se oferece para ajudar os outros fazendo aquilo? Sabe quando você se diverte fazendo algo útil? Sabe quando você chega a se comprometer com as pessoas que fará aquilo para elas?
Bom, eu me comprometi. E a minha diversão era betar (revisar) as fanfics dos outros. Cheguei a fazer parte da equipe do 3V, recentemente extinto site de fanfics. Mas as autoras - e também amigas - que sempre me mandavam suas fics eram três: Jane Ravenclaw, Noah Black e Victoria Weasley. Elas foram muito amáveis e perdoaram todos os meus atrasos absurdos. Confiaram a mim os seus textos e me deixaram corrigi-los e comentá-los. Elas me deixaram ajudá-las e assim, mal elas sabem, me ajudaram muito.
No início do mês de Maio deste ano eu recebi uma ligação de uma produtora editorial e fui contratada para um serviço de freelance que estou fazendo há três meses. No início precisava-se de alguém que soubesse mexer bem no Word. A minha amiga, que já trabalhava no lugar, me recomendou - ela lembrou que eu passei muito tempo com o Word aberto lendo e corrigindo fics. Depois de dois meses de serviço, precisava-se de alguém para revisão de texto. E mais uma vez meu nome foi lembrado graças às minhas atividades de betagem.
Eu me sinto muito mal por ter negligenciado essas meninas. Não tive tempo para terminar suas fics, justamente devido às coisas boas que elas me trouxeram. Um dia desses eu cheguei a comentar, com uma das meninas, que eu tinha sumido porque me sentia mal de aparecer para falar com elas sempre com um "desculpa, prometo que até tal dia eu beto".
Elas são muito pacientes e legais comigo. Sem contar que me dão o privilégio de ser uma das primeiras leitoras de suas obras (que, por sinal, são muito boas). Então, em vez de implorar desculpas mais uma vez, eu agradeço. Agradeço muito a todas e desejo muito sucesso. Vocês são ótimas!
- São dois machos?
- Um macho e uma fêmea.
- Mas são castrados?
- Eles já tiveram filhos uma vez, daí eu castrei, se não, não dá.
- Ah, os meus eu castrei quando pequenos.
Ser bicho tem lá suas desvantagens.
Esses gatos, por exemplo. A mãe deles encontra com uma estranha qualquer na rua e começa a falar da vida íntima deles, na frente deles, enquanto a estranha acaricia suas cabeças. Coitados.
Pegar ônibus é algo curioso. Há quem goste, há quem não suporte, há quem simplesmente o faça. Mas o que não se pode negar é que há algo de peculiar no dia-a-dia de passageiros de ônibus.
A começar pelo ponto.
Você já chega nele se apressando e, muitas vezes, praguejando. Se estiver muito vazio, ou é porque você pega ônibus no meio do nada (sorte sua) ou porque você chegou um minuto atrasado e terá que esperar o próximo. Se estiver muito cheio, significa que você pode vestir a sua farda.
A guerra do embarque
é um dos momentos mais tensos. Ela tem início ainda durante a espera pelo ônibus, quando você procura um lugar próximo à sarjeta. Um lugar que, por intuição, experiência, lógica ou mandinga, você pretende que seja exatamente onde ficará a porta da frente quando o ônibus parar.
Então ele chega. Se parar na sua frente e você for o primeiro entrar, parabéns, você teve a sua primeira conquista de hoje! Se não, bem-vindo ao resto das trinta e duas pessoas que estão revoltadas se empurrando para entrar antes das outras. Mas não fique magoado se ficar entre essas pessoas. Veja pelo lado positivo: pelo menos o seu ônibus não parou atrás de um outro que não te interessa e, portanto, bem para trás do ponto, o que geralmente te colocaria exatamente na ponta oposta à que você costumava ficar na fila.
Então você entrou no ônibus,
após esperar as pessoas que entram e, como você, vão andando bem devagar e espichando o pescoço para tentar descobrir se há lugares livres depois da catraca (afinal, um dos grandes pavores dos passageiros, mesmo dos mais esportistas e saudáveis, é ser obrigados a viajar em pé). Se não houver, você tem que decidir entre:
1 - Passar a Catraca
Neste caso, você fica em pé. Se tiver sorte, alguém se oferece para segurar a sua mochila. Você pode aceitar e tirar o peso das costas (ou das mãos, onde você certamente a estava carregando, não para evitar furtos, mas para não atrapalhar os outros usuários, que você respeita demais) e entregar à pessoa. Mas aí você se sente obrigado a viajar perto da pessoa enquanto estiver em pé. Em vez disso, você pode escolher por si só onde vai viajar em pé e, usando das habilidades preconceituosas que eu sei que você tem, posicionar-se estrategicamente perto de alguém com cara de que vai descer antes de você. (No meu ônibus para a USP, por exemplo, não vale a pena esperar que alguém de mochila desça antes do campus, muito menos se for um japonês.)
2 - Ocupar um acento preferencial
O que sempre gera polêmica. Afinal, se um idoso ou uma mulher grávida entrar você com certeza cede o lugar (se você for uma pessoa decente que não finge estar dormindo). Mas e se entrar alguém mais ou menos idoso ou uma mulher mais ou menos barriguda? Aí sim, você tem que usar não as habilidades preconceituosas que eu sei que você tem, mas o bom senso e a intuição. Aí ferra tudo! Você sempre corre o risco de a pessoa se ofender. Sempre. Há quem diga que o melhor a se fazer é levantar-se e não dizer nada. Se a pessoa se achar "preferencial", ela senta. Mas aí você corre o risco de que aconteça o que me aconteceu um dia desses: o velhinho não sentou e outra menina pegou o meu lugar.
3 - A fusão dos dois, que é a minha preferida
Pegar um acento preferencial no fundo do ônibus. Você até cede o seu lugar - se o velhinho chegar até lá e ninguém oferecer o acento antes!
Outras coisas que rolam dentro do ônibus
Gente despencando de sono no seu ombro. Você sempre fica muito sem graça, mas não há como ficar bravo com a pessoa, a não ser que você nunca tenha durmido no ônibus. Se você já acordou despencando para cima de alguém, sabe que a vergonha dispensa qualquer repreensão.
Uma coisa desagradável e que é feita por gente bem acordada é ouvir música sem fone - ou seja, colocar trilha sonora para a viagem alheia segundo os seus próprios gostos - que costumam ser funk, pagode e techno; nunca topei com alguém que ouvisse Pink Floyd alto no ônibus. No máximo Michael Jackson, mas aí dá raiva porque você lembra que aquela pessoa só começou a gostar dele porque ele morreu. ¬¬"
Há também as conversas dos outros ("os outros", que você começa a reconhecer após um tempo na mesma linha), que acabam se infiltrando nos nossos ouvidos quer gostemos ou não. Mas eu poderia fazer um post apenas sobre elas, a começar pela menina que dizia à outra, como se fosse a melhor piada do mundo: "Ela não sabia distinguir uma veia e uma artéria! Hahahaha!"
Muitas outras coisas acontecem no ônibus. Mas eu não posso citar todas elas aqui porque eu dormi e quase perdi o ponto - e essa distração me valeu principalmente a perda da criatividade para finalizar posts. Acontece nas melhores famílias.
Para ler sobre o maravilhoso mundo do metrô, veja este post no blog da Juh.
"Obrigada à Revista por também falar sobre a greve na USP. A bagunça que é feita anualmente na universidade tornou-se uma palhaçada. O fato de a assembleia ter sido interrompida para discutir a presença da jornalista Leticia de Castro é só mais uma prova de que o movimento estudantil está desmoralizado. Concordo com diversas reivindicações, mas não acho que interromper as atividades da universidade e transformá-la num campo de batalha seja uma maneira eficiente de se fazer levar a sério.
O mais incômodo é que a greve não só atrapaçha os alunos que, como eu, querem assistir às aulas, mas também suja a imagem da USP."
Com direito a edição feita pela Folha. ^^
Minha mãe disse que amanhã eu vou apanhar na USP. A minha sorte é que ninguém lá sabe quem sou eu.
Aos 16 anos
um professor quis expulsá-lo da sala de aula por mau comportamento, mas mamãe e papai não deixaram. Mamãe e papai esfregaram o dedo na cara do professor, dizendo "você não pode fazer isso com o meu filho!".
Aos 20 anos
ele tentou invadir a reitoria da Universidade por causas que sabia que não seriam resolvidas daquela forma. A PM impediu e ele não aceitou aquilo - afinal, ele aprendeu com seus pais que está sempre acima das autoridades e das leis.
Eu gostaria de fazer um protesto contra esses filhinhos de papai metidos a esquerdistas que envergonham seus colegas e sujam a imagem da USP. Mas eu não vou fazer nada porque, diferente deles, estou tentando me dedicar aos meus estudos.
Eu trabalho no centro de São Paulo. Lá, vendem-se advogados como se vendem peixes.
"Advogado, advogado!"
"Olha o advogado"
"Processo trabalhista!"
"Advogado!"
"Processar o patrão, minha senhora?"
Eu desejo melhor sorte aos meus amigos vestibulandos de direito.
Listinha de trabalhos que estou fazendo para a faculdade:
- Identidade visual de uma revista;
- Matéria sobre brasileiras que namoram estrangeiros;
- Site de um centro espírita;
- Pesquisa sobre a Biblioteca Digital do Orkut;
- Pesquisa sobre o leitor idoso no Brasil.
Listinha de outros compromissos que eu assumi:
- Diretora editorial de projeto na Com-Arte Jr.;
- Diretora editorial da edição número 5 da revista Originais Reprovados;
- Designer dos letreiros de um documentário;
- Freelancer em uma produtora editorial (6 horas por dia!);
- Responsável pela Comissão de Contatos do V Fórum de Editoração;
- Beta-reader picaretíssima;
- Organizadora de um evento de Harry Potter que acontecerá daqui a dois meses;
- Designer do logotipo de um projeto social.
Além disso, eu saio com meu namorado e com meus amigos, brinco com a minha irmã caçula e tento cumprir uma meta de 101 coisas em 1001 dias.
E é bem provável que eu tenha esquecido de citar algo.