sexta-feira, 3 de julho de 2009

Nessa bumba eu não ando mais

Pegar ônibus é algo curioso. Há quem goste, há quem não suporte, há quem simplesmente o faça. Mas o que não se pode negar é que há algo de peculiar no dia-a-dia de passageiros de ônibus.

A começar pelo ponto.
Você já chega nele se apressando e, muitas vezes, praguejando. Se estiver muito vazio, ou é porque você pega ônibus no meio do nada (sorte sua) ou porque você chegou um minuto atrasado e terá que esperar o próximo. Se estiver muito cheio, significa que você pode vestir a sua farda.

A guerra do embarque
é um dos momentos mais tensos. Ela tem início ainda durante a espera pelo ônibus, quando você procura um lugar próximo à sarjeta. Um lugar que, por intuição, experiência, lógica ou mandinga, você pretende que seja exatamente onde ficará a porta da frente quando o ônibus parar.
Então ele chega. Se parar na sua frente e você for o primeiro entrar, parabéns, você teve a sua primeira conquista de hoje! Se não, bem-vindo ao resto das trinta e duas pessoas que estão revoltadas se empurrando para entrar antes das outras. Mas não fique magoado se ficar entre essas pessoas. Veja pelo lado positivo: pelo menos o seu ônibus não parou atrás de um outro que não te interessa e, portanto, bem para trás do ponto, o que geralmente te colocaria exatamente na ponta oposta à que você costumava ficar na fila.

Então você entrou no ônibus,
após esperar as pessoas que entram e, como você, vão andando bem devagar e espichando o pescoço para tentar descobrir se há lugares livres depois da catraca (afinal, um dos grandes pavores dos passageiros, mesmo dos mais esportistas e saudáveis, é ser obrigados a viajar em pé). Se não houver, você tem que decidir entre:

1 - Passar a Catraca
Neste caso, você fica em pé. Se tiver sorte, alguém se oferece para segurar a sua mochila. Você pode aceitar e tirar o peso das costas (ou das mãos, onde você certamente a estava carregando, não para evitar furtos, mas para não atrapalhar os outros usuários, que você respeita demais) e entregar à pessoa. Mas aí você se sente obrigado a viajar perto da pessoa enquanto estiver em pé. Em vez disso, você pode escolher por si só onde vai viajar em pé e, usando das habilidades preconceituosas que eu sei que você tem, posicionar-se estrategicamente perto de alguém com cara de que vai descer antes de você. (No meu ônibus para a USP, por exemplo, não vale a pena esperar que alguém de mochila desça antes do campus, muito menos se for um japonês.)

2 - Ocupar um acento preferencial
O que sempre gera polêmica. Afinal, se um idoso ou uma mulher grávida entrar você com certeza cede o lugar (se você for uma pessoa decente que não finge estar dormindo). Mas e se entrar alguém mais ou menos idoso ou uma mulher mais ou menos barriguda? Aí sim, você tem que usar não as habilidades preconceituosas que eu sei que você tem, mas o bom senso e a intuição. Aí ferra tudo! Você sempre corre o risco de a pessoa se ofender. Sempre. Há quem diga que o melhor a se fazer é levantar-se e não dizer nada. Se a pessoa se achar "preferencial", ela senta. Mas aí você corre o risco de que aconteça o que me aconteceu um dia desses: o velhinho não sentou e outra menina pegou o meu lugar.

3 - A fusão dos dois, que é a minha preferida
Pegar um acento preferencial no fundo do ônibus. Você até cede o seu lugar - se o velhinho chegar até lá e ninguém oferecer o acento antes!

Outras coisas que rolam dentro do ônibus
Gente despencando de sono no seu ombro. Você sempre fica muito sem graça, mas não há como ficar bravo com a pessoa, a não ser que você nunca tenha durmido no ônibus. Se você já acordou despencando para cima de alguém, sabe que a vergonha dispensa qualquer repreensão.
Uma coisa desagradável e que é feita por gente bem acordada é ouvir música sem fone - ou seja, colocar trilha sonora para a viagem alheia segundo os seus próprios gostos - que costumam ser funk, pagode e techno; nunca topei com alguém que ouvisse Pink Floyd alto no ônibus. No máximo Michael Jackson, mas aí dá raiva porque você lembra que aquela pessoa só começou a gostar dele porque ele morreu. ¬¬"
Há também as conversas dos outros ("os outros", que você começa a reconhecer após um tempo na mesma linha), que acabam se infiltrando nos nossos ouvidos quer gostemos ou não. Mas eu poderia fazer um post apenas sobre elas, a começar pela menina que dizia à outra, como se fosse a melhor piada do mundo: "Ela não sabia distinguir uma veia e uma artéria! Hahahaha!"

Muitas outras coisas acontecem no ônibus. Mas eu não posso citar todas elas aqui porque eu dormi e quase perdi o ponto - e essa distração me valeu principalmente a perda da criatividade para finalizar posts. Acontece nas melhores famílias.


Para ler sobre o maravilhoso mundo do metrô, veja este post no blog da Juh.

domingo, 21 de junho de 2009

E-mail meu para a Revista da Folha

"Obrigada à Revista por também falar sobre a greve na USP. A bagunça que é feita anualmente na universidade tornou-se uma palhaçada. O fato de a assembleia ter sido interrompida para discutir a presença da jornalista Leticia de Castro é só mais uma prova de que o movimento estudantil está desmoralizado. Concordo com diversas reivindicações, mas não acho que interromper as atividades da universidade e transformá-la num campo de batalha seja uma maneira eficiente de se fazer levar a sério.
O mais incômodo é que a greve não só atrapaçha os alunos que, como eu, querem assistir às aulas, mas também suja a imagem da USP."

Com direito a edição feita pela Folha. ^^
Minha mãe disse que amanhã eu vou apanhar na USP. A minha sorte é que ninguém lá sabe quem sou eu.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Marginais da classe média

Aos 16 anos
um professor quis expulsá-lo da sala de aula por mau comportamento, mas mamãe e papai não deixaram. Mamãe e papai esfregaram o dedo na cara do professor, dizendo "você não pode fazer isso com o meu filho!".

Aos 20 anos
ele tentou invadir a reitoria da Universidade por causas que sabia que não seriam resolvidas daquela forma. A PM impediu e ele não aceitou aquilo - afinal, ele aprendeu com seus pais que está sempre acima das autoridades e das leis.


Eu gostaria de fazer um protesto contra esses filhinhos de papai metidos a esquerdistas que envergonham seus colegas e sujam a imagem da USP. Mas eu não vou fazer nada porque, diferente deles, estou tentando me dedicar aos meus estudos.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Feira

Eu trabalho no centro de São Paulo. Lá, vendem-se advogados como se vendem peixes.

"Advogado, advogado!"
"Olha o advogado"
"Processo trabalhista!"
"Advogado!"
"Processar o patrão, minha senhora?"

Eu desejo melhor sorte aos meus amigos vestibulandos de direito.

sábado, 30 de maio de 2009

Vira-tempo

Listinha de trabalhos que estou fazendo para a faculdade:
- Identidade visual de uma revista;
- Matéria sobre brasileiras que namoram estrangeiros;
- Site de um centro espírita;
- Pesquisa sobre a Biblioteca Digital do Orkut;
- Pesquisa sobre o leitor idoso no Brasil.
Listinha de outros compromissos que eu assumi:
- Diretora editorial de projeto na Com-Arte Jr.;
- Diretora editorial da edição número 5 da revista Originais Reprovados;
- Designer dos letreiros de um documentário;
- Freelancer em uma produtora editorial (6 horas por dia!);
- Responsável pela Comissão de Contatos do V Fórum de Editoração;
- Beta-reader picaretíssima;
- Organizadora de um evento de Harry Potter que acontecerá daqui a dois meses;
- Designer do logotipo de um projeto social.
Além disso, eu saio com meu namorado e com meus amigos, brinco com a minha irmã caçula e tento cumprir uma meta de 101 coisas em 1001 dias.
E é bem provável que eu tenha esquecido de citar algo.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Sufoco

"Eu nunca tive tanta pesquisa para fazer na minha vida!"

Foi o que disse a minha irmã, Sophia, de 9 anos.
Isso me fez pensar que eu vivo dizendo esse tipo de coisa. Que eu sempre estou passando pelo ano mais atarefado de toda a minha vida.
Será que somos muito dramáticas? Ou que as coisas realmente pioram todo ano?

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Os vampiros atacam

Porque eu também tinha que dar minha opinião sobre Twilight.


Na semana passada eu terminei de ler Eclipse. Foi bem legal, eu concordo, mas... só. Só foi bem legal. Eu gostei do final e estou aguardando o próximo, mas não houve nada surpreendente ou que me deixasse com o coração na mão contando os dias para ler Alvorada.
O que eu quero dizer neste post é, excencialmente, que Twilight é legal, mas não merece a barulheira toda que estão fazendo sobre a série.

Às vezes penso que eu fui a única que ficou revoltada ao ler, na quarta capa do livro, que Stephenie Meyer é a mais bem-sucedida autora de fantasia do mundo, ou algo assim. Achei isso ridículo por dois motivos:
Primeiro, porque não dá para respeitar esta pessoa:

E segundo (e agora é sério) porque... MEU DEUS, SERÁ QUE ELES ESQUECEM MESMO TÃO RÁPIDO?!
Como assim a melhor autora de fantasia do mundo? Caramba, Deathly Hallows saiu em 2007 e todo mundo já esqueceu? Então é isso?
Me desculpem, eu detesto admitir, mas eu sou uma fã com ciuminho. Mas também uma fã indignada e com motivo!
Os fãs de Twilight podem me responder que nunca vão deixar de amar Harry Potter etc. e tal e que os Cullen são apenas a sua segunda paixão. Eu só fico me perguntando por que diabos eles merecem ser a segunda, terceira ou quadragésima paixão de alguém. Isto é, eu até sei o porquê. Eles são perfeitos, não é mesmo? Óbvio que todo mundo se apaixona por personagens perfeitos. O Edward é o maior exemplo - ele é lindo, gentil, amável, dedicado e tudo o mais. Verdade. Mas então cadê a genialidade dessa autora? Até eu, que não sou a maior literata do mundo, consigo fazer um texto descrevendo o homem perfeito e todo mundo vai dizer que casaria com ele fácil, fácil. Isso não faz de ninguém um bom autor, apenas um autor vendido.
Um bom autor faz você se apaixonar por Rony Weasley, que, à primeira vista, não tem motivo nenhum para merecer a sua atenção. Por Neville Longbottom, por Draco Malfoy, pela família Black. Ou, pelo auge da construção de personagem em Harry Potter, na minha opinião: Severo Snape. Estes sim são personagens. Talvez não sejam dignos de nenhum Nobel de literatura, mas com certeza exigiram um pouco mais de esforço mental para serem criados.

Sinceramente, entendo a minha posição de velha chata pensando assim, mesmo porque eu já ouvi muita gente reclamando demais de Harry Potter, que eu amo tanto quanto várias pessoas amam Twilight. Mas, levando em conta que eu ainda não encontrei nenhum fã de Twilight que não admitisse algo de ridículo na série, acho que mereço um pouco de compreensão.

Termino o post com a citação de uma amiga de opinião um pouco mais radical:
"Harry Potter os ensinou a ser fãs e eles, muito contentes com o que aprenderam, resolveram aplicar na primeira porcaria que aparecesse."

*senta e espera os tomates serem arremessados*