terça-feira, 25 de novembro de 2008

The Clock Rock Bar

Domingo eu saí para dançar.

A música era muito boa. E tinha aulinha de dança.
As garçonetes usavam roupas muito fofas. E as outras pessoas, também.
Os meus amigos estavam lá. E nós demos risadas juntos.
Na verdade, eu não danço bem. E eu não me importei nem um pouco.
Eu dancei me sentindo muito feliz. E girei, girei, girei.
Eu girei, girei, girei.
Girei.
O bar man cuspiu grandes bolas de fogo. E numa música muito propícia a isso.
Eu girei. E eles me deram um docinho na saída.

Domingo eu saí para dançar. E me diverti muito.






www.theclock.com.br
Vocês deviam tentar isso também.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Seriados

Eles me decepcionam, sabe. Quando aparece alguma coisa decente para assistir, é tirada do ar. É quase uma máxima dos seriados americanos.

Um bom exemplo disso é, para mim, Dead Like Me. Ninguém que eu conheço assistia a isso. A trama era sobre uma menina esquisita que morria e, em vez de ir para o além, encontrar com Deus, reencarnar ou coisa assim, ficava aqui na Terra, incumbida da podre tarefa de guiar os próximos falecidos até "a luz". E, como ela assumia uma imagem diferente da que tinha quando viva, não tinha como dar aquela aparecidinha mediúnica básica para a família (que nunca a amou em vida), o que restringia o seu círculo social a outros "ceifadores", como eles chamavam. O humor era curiosamente sombrio, os atores não eram lindos segundo o padrão estético vigente e cada episódio trazia uma reflexão muito profunda sobre a vida. Resultado: só houve duas temporadas da série. Uma lástima.

Agora o mesmo está para acontecer com The Riches. A primeira temporada acabou de ter fim na Fox e a segunda, de iniciar no Telecine Pipoca. E, reza a revista Monet, essa será a temporada final, devido ao pouco sucesso da série junto ao público. Para quem não acompanhou, a série conta a história da família Malloy, que foge de um grupo cigano (a palavra que eles usam é "viajante") e, após assistirem ao acidente que mata uma família de burgueses, se vêem indo à casa nova destes e tomando seu lugar. Assim, da noite para o dia, os cinco indivíduos peculiares passam de farsantes em um trailer a ricaços em um condomínio de luxo, com direito a escola particular para os filhos e emprego como advogado para o pai. Não é preciso dizer que isso gera uma confusão atrás da outra, o que garante que cada episódio tenha algo de emocionante. Agora, eu lhes pergunto: como assim não fez sucesso? Está certo que eu estou me precipitando um pouco - a revista Monet previu que Supernatural não passaria da primeira temporada e, bem, já está na quarta - mas, considerando já esse pouco sucesso de séries boas (as previsões da Monet não podem se basear no nada)... qual o problema desse público que só aceita séries quenão trazem nada de inovador, como Smallville (extremamente repetitivo, com Lex ou Lana baleados quando não se tem mais nada para contar no episódio), ou são comédias bobas, como Friends (nada contra comédias bobas em geral, adoro Everybody hates Chris), ou então têm muito sangue, como Dexter (série pela qual, só para constar, eu sou apaixonada)? O que aconteceu com Pushing Daisies, aquela coisa... fofa (não encontro outra palavra) sobre a qual a Warner nunca mais deu notícia?
Acho que a nós, telespectadores exigentes, cabe nos contentar com as séries boas que também contentam ao grande público. Amo Dexter. Mas queria mesmo que Pushing Daisies ainda estivesse passando e que The Riches não acabasse.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Teoria da Comunicação

Professor:
- O que vocês enxergam nesta imagem?
Alunos:
- Um homem, uma mulher e um cachorro.
- Um casal, um animal e o sol.
- Dois adultos, uma criança e o sol.
- Um convite ao sexo!
[silêncio]
Professor:
- Alguma outra consideração?



Tive prova dessa matéria ontem.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Estorinha

Então, o cara chegou no céu e São Pedro perguntou:
- O que foi que você fez nesta vida, meu filho?
- Eu inventei de colocar etiquetas em roupas íntimas!
- Xi... - disse São Pedro. - Vai para o andar de baixo.


Contada pela minha irmã, num momento de revolta.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Lembrar é viver

Não há o que temer quanto aos deuses.
Não há nada a temer quanto à morte.
Pode-se alcançar a felicidade.
Pode-se suportar a dor.


Eu pensava que Sócrates havia me cativado, até que conheci Epicuro. Um senhor grego muito simpático, desprendido e sobretudo feliz, que viveu segundo a filosofia mais prazerosa e tranqüila de todas. Lendo sobre seus pensamentos, encontrei expressões daquilo que há muito é o meu modo de pensar, mas que eu nunca tinha conseguido explicar - pelo menos não tão bem assim.
Então, aproveito o grego traduzido e adaptado para postar aqui o que, para mim, são os mandamentos supremos da vida humana.

***

A felicidade, para Epicuro, deveria ser o objetivo final da vida de qualquer pessoa, e não era difícil de se alcançar. Ele chegou a criar uma escola filosófica e ensinar sobre a busca da felicidade a todas as pessoas que quisessem ouvi-lo, independente do sexo, raça, idade, nacionalidade e posição política ou social.
A idéia é simples: se você está infeliz agora, basta buscar a felicidade nas suas memórias, relembrando momentos felizes que já se passaram, ou nas suas espectativas, imaginando que ainda passará por muitos bons momentos e que, portanto, o mal que sofre agora é passageiro.
(É importante, porém, encontrar um equilíbrio aí e não viver em função do que virá a acontecer - afinal, o objetivo aqui é ser feliz, e não ansioso.)
Sobre isso, diz Epicuro:

"Não deves corromper o bem presente com o desejo daquilo que não tens: antes, deves considerar também que aquilo que agora possuis se encontrava no número dos teus desejos.
Quem menos sente a necessidade do amanhã, mais alegremente se prepara para o amanhã.
A vida do insensato é ingrata, encontra-se em constante agitação e está sempre dirigida para o futuro."

Se não está bom hoje, já foi bom um dia, não é isso o que importa? A felicidade por qual você passa em determinado momento é tão supérflua a ponto de ser esquecida e desmerecida quando aparentemente não pode mais ser sentida?
A chave para a felicidade, por tantos almejada, é construída por nós a cada dia de nossas vidas. Todas as pessoas podem ser felizes - basta lembrar. Mesmo as dores físicas podem ser enganadas, com os pensamentos corretos. Ater-se às lembranças é o único requisito para aprendermos a afastar qualquer sentimento ruim e, assim, seguir nosso caminho até os momentos felizes que ainda estão por vir.

domingo, 14 de setembro de 2008

Amor

Músicas da Disney. Alguns preferem-nas em inglês. Esta eu gosto bastante de ouvir no original. Mas um dia desses, voltando à rodoviária após uma curta porém proveitosa viagem, eu me pus a ouvir as mais de vinte músicas da Disney no meu MP3 - praticamente todas na versão em português, que em geral é a que eu prefiro. Esta estava entre elas. É tão linda e tão marcante. Mas naquele momento eu não pensei tanto nela como faria dali a três ou quatro dias, quando, relembrando sua letra, percebi tantos detalhes da minha vida escondidos em palavras bonitas.


No meu coração você vai sempre estar - Ed Motta
(You will be in my heart - Phil Collins)

Não tenha medo
Pare de chorar
Me dê a mão
Venha cá

Vou proteger-te de todo o mal
Não há razão pra chorar

No seu olhar eu posso ver
A força pra lutar e pra vencer
O amor nos une para sempre
Não há razão pra chorar

Pois no meu coração
Você vai sempre estar
O meu amor contigo vai seguir

No meu coração
Aonde quer que eu vá
Você vai sempre estar
Aqui...

Por que não podem ver o nosso amor?
Por que o medo? Por que a dor?
Se as diferenças não nos separam
Ninguém vai nos separar

E no meu coração
Você vai sempre estar
O meu amor contigo vai seguir

Não deixe ninguém
Tentar lhe mostrar
Que o nosso amor
Não vai durar

Eles vão ver
Eu sei...

Pois quando o destino
Vem nos chamar
Até separá-lo
É preciso lutar!

Eles vão ver
Eu sei...
Nós vamos provar que

No meu coração
Eu sei você vai sempre estar
Eu juro que o meu amor contigo vai seguir

No meu coração(dentro do meu coração)
Aonde quer que eu vá(onde quer que eu vá)
Você vai sempre estar(vai estar)
Aqui...

Aqui...
Para sempre...
Meu amor vai contigo
Sempre contigo...

Basta fechar os olhos
É só fechar os olhos
Quando fechar os olhos
Vou estar aqui...


- Tem um episódio de Pushing Daisies em que eles comentam que a pessoa, quando perde um membro, continua a senti-lo como se ele ainda estivesse lá. Aí o Ned fala para a Chuck que, quando ela está longe, ele sente ela como um membro amputado, como se ela ainda estivesse perto dele.
- Não faz sentido, não é? Se é assim, tanto faz se ela está perto dele ou não.
É. Então você não é como um membro amputado.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Fernando Pessoa em...

... Álvaro de Campos.

Poema em linha reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.

Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.