domingo, 3 de agosto de 2008

O bicho-papão

Adoro contar histórias sobre a minha infância.
Quando eu estava na primeira ou na segunda série, eu tinha aulas no prédio do fundamental I (óbvio), mas as aulas quinzenais de informática eram no prédio do infantil. Durante uma dessas aulas, eu precisei usar o banheiro e, enquanto estava dentro da cabine, duas menininhas do infantil (que eu, do alto dos meus sete anos, julgava serem muito mais novas do que eu) entraram no banheiro e bateram na porta da minha cabine.
- Quem está aí? - perguntou uma delas.
E eu, num ato de não-sei-que-sentimento, respondi, com o que eu acreditava ser uma voz grossa e assustadora:
- É o bicho-papãaaao!
As meninas gritaram e saíram correndo.
Eu poderia dizer que rolei de rir e fui contar para todos os meus amiguinhos. Mas a verdade é que eu saí do banheiro, lavei minhas mãos tranqüilamente e voltei para a aula, como se nada tivesse acontecido.

E este é mais um daqueles posts sem sentido algum.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Que loucura

"Esses bebês de proveta estão enganando todos vocês. Porque a genérica deles é que é mais natural. Eles são de trezentos mil espermatozóides no óvulo de uma mamãe girafa!"
Grito de uma mulher em emergência psiquiátrica no corredor do hospital.

domingo, 27 de julho de 2008

Prólogo de uma nova fanfic

Minha nova fic Percy/Penny.

- Aceito.

É a palavra que muda a vida de qualquer homem. Ou que, ao menos, deveria mudar. Mas as coisas não são sempre como deveriam. Afinal, não é bem uma surpresa ouvi-la no altar. Não, essas palavras não proporcionam mudança alguma, apenas concretizam algo que levou anos para ser construído.

Na minha vida, isso não foi diferente. Foram dois anos de namoro com Audrey. Não era necessário esperar mais do que isso. Não, eu sempre fui um homem sério, sem motivos para me comprometer com uma mulher com quem não tivesse intenção de me casar. Portanto, nós não precisávamos esperar. Ambos tínhamos estabilidade financeira e apreciávamos a companhia um do outro. Que motivo melhor poderia haver para se unir em matrimônio?

Logicamente, eu soube desde o início que seria esse o curso seguido por nossas vidas. Os dois anos que se passaram apenas confirmaram as minhas impressões. Audrey era uma mulher séria e dedicada, infinitamente talentosa e também uma moça de família, muito honrada.

Cada dia que passei com ela fortaleceu minhas certezas, de modo que nunca houve surpresas em nosso relacionamento. Isso é bom. Surpresas podem ser agradáveis ou não. E, como homem racional que sou, prefiro não arriscar. Quando pedi sua mão em casamento, já tinha certeza de que aceitaria. Nossos planos estavam implícitos em nosso relacionamento há muito tempo.

Portanto, ouvir um “aceito” no altar foi como seguir um roteiro pré-estabelecido. Aliás, era exatamente isso que acontecia. Cada passo dado equivalia ao que fora combinado no ensaio da cerimônia. Nem mesmo Victoire, em seu vestido de dama de honra que, como ela reclamara mais cedo, pinicava o corpo, ousou tirar de sincronia aquele momento sagrado.

Assim consumou-se meu casamento. Eu o atravessei como um homem que aceita o destino que não lhe desagrada.

E me orgulhei da vida que consegui.

Minhas duas filhas são as meninas mais bonitas, educadas e inteligentes que já nasceram nesta família. Não brigam com os primos, não saem descalças no quintal e não puxam o rabo do gato. São as melhores crianças que já conheci.

E minha esposa... bem, ela é Audrey. É uma mulher inovadora. Dedica-se ao mesmo tempo à arte e aos negócios, tendo apenas empresas de sucesso e que fazem seu nome muito famoso – Cathlove, nome que ela continua a usar para a vida profissional, mesmo depois de casada. Depois de cinco anos no comando da escola de dança por ela fundada, ela deixou a direção nas mãos de um sócio e dedicou-se ao aperfeiçoamento de um outro talento seu: a culinária. Hoje, ela está prestes a abrir o seu primeiro restaurante – o qual, posso garantir, será um sucesso.

Audrey é independente. É esperta. Sabe educar os filhos. É boa de cama. Faz jantares deliciosos. Mantém conversas interessantes.

Eu não poderia desejar nada além de Audrey.

Mas desejei.

Postei isto pensando na Noah, que sempre posta trechos de fics.
Só para constar, as fics dela são de qualidade superior.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Momentos de desespero

Eu nunca pensei que, algum dia na minha vida, eu desejaria ter nascido homem. Mas isso aconteceu. Duas vezes no mesmo dia.

Eram dez horas da noite e eu corria para lá e para cá apanhando minha "bagagem" para o Anime Friends e colocando na mochila.
- artefatos trouxas para a aula - ok.
- mp3 e caixa de som - ok.
- roupa normal para me trocar depois -
O primeiro problema surgiu aí. Escolhi uma calça e um par de tênis. Mas que blusa eu usaria? Esta daqui é bonita, mas é muito aberta. Se fizer frio, eu vou ter problemas. Esta outra é mais fechada, mas é simples demais. Queria estar bonita. Ai, meu Deus, que roupa eu levo? As duas, claro. Chegando lá eu decido.
E lá fui eu colocar as duas blusas na mochila. E, obviamente, um sutiã extra, pois uma delas era frente única. Além disso, coloquei pares de meia de reserva, para trocar junto com a roupa. E a mochila, que já estava transbordando de tranqueiras, tornou-se mais gorda e pesada.
Surgiu então o primeiro pensamento bizarro: por que eu não nasci homem? Seria tão mais simples vestir a primeira porcaria que aparecesse no guarda-roupas e não me importar...
Mas okay, sem pânico, você já está terminando.
- roupa normal para me trocar depois - ok.
- cosplay - ok...
Opa, não tão okay aqui. Onde estão minhas meias do cosplay? Eu lembro de tê-las visto ainda esta semana e pensado "bom saber que elas estão aqui, assim quando precisar delas não as procurarei feito idiota". Mas aqui onde? Onde foi que eu as vi?
Pus-me a revistar todas as gavetas do guarda-roupas. Em vão. Elas não apareciam em lugar nenhum. Pedi à minha irmã que procurasse em meu lugar, talvez o sono estivesse afetando minha vista. Mas ela também não encontrou.
Agora preciso separar uma roupa para colocar no lugar do cosplay, caso essa meia não apareça. Afinal, sem a meia certa eu não posso usar a saia. E se não colocar a saia, não vou de cosplay.
Segundo sacrilégio em forma de pensamento: por que eu não nasci homem? Colocaria qualquer meia, afinal, a calça cobriria de qualquer jeito!
Desisti e fui dormir. Pela manhã, decidiria o que vestir, o que fazer.

No dia seguinte, já estava prestes a colocar uma roupa trouxa e desistir do cosplay quando, ao ouvir minhas queixas, minha mãe foi até meu quarto, abriu a gaveta que eu tanto vasculhara na véspera e... pegou minhas meias do cosplay!
Como é possível? Eu não sei. Só sei que entendi que o legal não seria ser homem e sim ser mãe.

sábado, 10 de maio de 2008

Coisas da USP

Eis que, ao chegar ao ponto de ônibus, as duas infortunadas edits recebem a notícia de que os ônibus estão em greve e só voltarão a circular após às duas da tarde. Como permanecer mais de duas horas no ponto não lhes parecia agradável, a alternativa que resta é a de almoçar no bandejão e aguardar até que pudessem voltar para casa.
Dirigem-se ao bandejão central, cuja fila está curiosamente curta. Questionam-se que tipo de gororoba estaria sendo servida ali, mas, tomadas de inusitada coragem, adentram o lugar.
A gororoba não é ruim. Arroz, feijão, farofa, lagarto. Não ousam experimentar a berinjela, tampouco a salada, que parece ter sido colhida na última jardinagem da praça do relógio. A mulher que serve o suco reclama em alto e bom som sobre o próprio serviço e enche apenas até a metade a caneca de uma das edits.
Encontram vazia uma mesa para quatro pessoas. Ocupam dois de seus lugares e põe-se a comer, enquanto conversam sobre a vida, a filosofia (é quarta-feira) e algumas outras vulgaridades. Até que senta-se junto a elas (sem questionar se o lugar está vago) uma figura de gorro, com roupas simples e dois jornais, os quais abre sobre a mesa e lê ao mesmo tempo em que mastiga, de boca aberta, a comida.
O almoço continua. Poderia ter sido um almoço normal. Mas de repente uma das edits percebe a figura de gorro com quem dividem a mesa dirigir-se para uma garota na mesa ao lado, perguntando:
- Você vai comer esse bife?
A menina responde negativamente.
- Pode pôr aqui para mim? - pede a figura, estendendo um copo plástico vazio. - Não é para mim, não. É para os cachorros - explica, enquanto a menina lhe cede, sem questionar, o pedaço de carne. Ele se refere aos cães sem dono que sempre podem ser vistos do lado de fora do bandejão, justo no horário de almoço, esperando que alguém compartilhe com ele as sobras dos bem-gastos R$1,90.
Até então, continuaria sendo um almoço normal. Se não acontecesse de a figura começar a gritar, não contente em apanhar a doação involuntária da garota:
- Porque eu acho um absurdo, sabe, vocês, alunas da USP, "tudo arrumadinhas", pegar um bife que vocês sabem que não vão comer! Porque enquanto vocês estão aí desperdiçando, tem muita gente lá fora morrendo de fome!
As edits, até então tranqüilas com a monotonia de sua refeição, se encaram com espanto, sentimento este causado pela repentina alteração no comportamento de seu companheiro de mesa.
Uma das edits olha então para o seu prato, onde meio bife permanece intocado. Ela não tem intenção alguma de comê-lo. A outra, com a refeição ainda pela metade, divide-se entre a idéia de se apressar para poderem ir embora rápido e a de puxar assunto com a colega, a fim de intimidar o homem ao lado. Afinal, ele não interromperia uma conversa para gritar com elas. Ou interromperia?
Mistério.
A edit atrasada termina a refeição o mais rápido que consegue, deixando sua sobremesa (uma laranja que mais tarde exigiria o esforço de três pessoas diferentes para ser descascada) para comer no caminho de volta à ECA.
As duas então se levantam. Pensam ter se livrado da figura alterada, mas ele chama a edit que não terminou a refeição, antes que ela possa se afastar. Felizmente, não grita com ela. Apenas pede que coloque seu pedaço de bife junto ao outro, no copo plástico.
Sair do bandejão é um alívio. Nenhuma das duas ri do acontecido - estão em estado de choque.
Passam pela feirinha de ambulantes, onde uma delas pára e compra gominhos de mel para o namorado. Faz algum tempo que ela e ele estão com vontade.
Em uma das barracas, uma moça vende cosméticos de várias marcas. A moça tem em sua companhia um cachorro poodle. Branco, com roupinha.
Ah, se a figura de gorro visse aquilo.



Post dedicado a Isadora Helena, minha mais nova companheira de aventuras.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Tesouras Nardoni

Cortam no momento em que você mais precisa.



Brasileiro faz piada com tudo. Até esse caso vai virar motivo de riso, se não for resolvido logo.
Mas não tem problema - no país do futebol e do carnaval, rir é o melhor remédio, não é mesmo?

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Quando eu era criança, tive uma fase em que gostava de contar. Certa vez fui andando de casa até a escola contando. Um, dois, três...
Ao chegar na escola, falei para uma das tias que cuidavam de mim:
- Tia, contei até X de casa até aqui.
Eu estava orgulhosa de mim mesma. Afinal, eu tinha contado bastante. Mas a resposta dela me desconcertou:
- Veio contando os passinhos, é?
E eu olhei para ela, sem entender. Não. Eu não disse que contara meus passos. Eu só disse que contara e ponto. Será que eu não podia contar só por contar, sem estar registrando a quantidade de algo específico?



Este post não tem sentido metafórico. Só para constar.