segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Video game

Às vezes, quando você está jogando video game com alguém, se você tem maior familiaridade com o jogo, a pessoa te pede ajuda para passar de uma fase.
Para você, isso a princípio é legal. Alguns gostam mais, outros, menos. Mas o fato é que todo mundo gosta de saber que sua ajuda é necessária. Dá um up no ego, sabe?
O problema é que algumas pessoas não querem exatamente que você ajude. Elas querem que você jogue por elas. Às vezes é só naquela fase. Às vezes é no jogo todo. E daí a brincadeira acaba perdendo a graça.
Esse tipo de pessoa pode apresentar vários tipos diferentes de reações durante o seu jogo. Há os que ficam em silêncio e apenas assistem você jogar por eles, passar de fase por eles, se divertir por eles. Há os que ficam te dizendo o que fazer, que botão apertar, que caminho seguir, o que às vezes te dá vontade de devolver o controle e ir jogar baralho. E há, é claro, os que apenas te admiram, "Nossa, eu queria saber jogar que nem você".
A maioria dessas pessoas, quando você joga com elas (por elas) com frequência, acaba misturando um pouco de cada um desses comportamentos. Por vezes elas acrescentam um quê de ingratidão - como comemorar com outro amigo quando o jogo termina, ou exibir suas façanhas como se fossem delas - ou de egoísmo - como querer pegar o controle só nas fases bônus. Mas o fato é que elas nunca querem assumir o controle. Elas gostam do jeito que está. É legal para elas ver o jogo fluir sem ter que fazer esforço, é legal ter alguém para culpar quando não dá certo.
Mas só é cômodo e divertido para elas. Existe um momento em que você cansa de jogar solo. Você quer acrescentar um jogador, ou revezar as fases. Você também quer ajuda. Você quer lutar e vencer junto. Quer saber que, quando seu personagem morrer, haverá um outro para pegar o check point. Você quer companhia para se divertir e para conquistar algo.

A não ser que a outra pessoa crie coragem de pegar o controle e se esforce também, ela, cedo ou tarde, vai deixar de ser uma boa companheira.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Fumantes

Eu só queria saber por que o mundo tem tanto deles.
Sério mesmo.

Revoltada, como sempre.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Fábula

O gato latiu.
O rato pensou que era um cachorro e saiu.
O gato comeu o rato.

Hoje em dia quem não fala duas línguas está perdido.





Contada há muito tempo, por um conhecido.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Ver até agosto 2011

Da minha lista de 101 coisas em 1001 dias:
060. [Assistir a]todos os filmes do álbum da Disney

- Branca de Neve
- Pinóquio
- Fantasia*
- Dumbo
- Bambi
- Alô, Amigos!*
- Você já foi à Bahia?*
- Música Maestro!*
- Como é bom se divertir*
- Tempo de Melodia*
- As Aventuras de Ichabod e o Sr. Sapo*
- Cinderela
- Alice no País das Maravilhas
- Peter Pan
- A Dama e o Vagabundo
- A Bela Adormecida
- 101 Dálmatas
- A Espada era a Lei
- Mogli - O Menino Lobo
- Aristogatas
- Robin Hood
- Puff - O Ursinho Guloso
- Bernardo e Bianca
- O Cão e a Raposa
- O Caldeirão Mágico
- As Peripécias do Ratinho Detetive*
- Oliver e Sua Turma
- A Pequena Sereia
- Bernardo e Bianca na Terra dos Cangurus*
- A Bela e a Fera
- Aladdin
- O Rei Leão
- Pocahontas
-
O Corcunda de Notre Dame
- Hércules
- Mulan
- Tarzan
- Fantasia 2000*
- Dinossauro
- A Nova Onda do Imperador
- Atlantis
- Lilo & Stitch
- Planeta do Tesouro
- Irmão Urso
- Nem que a Vaca Tussa
- O Galinho Chicken Little
- Selvagem*
- Toy Story
- Vida de Inseto
- Toy Story 2
- Monstros S.A.
- Procurando Nemo
- Os Incríveis
- Carros

* filmes que eu nunca vi. Os outros eu já vi, mas tenho que rever dentro desse prazo. Ah, que sacrifício...


São 54 para ver em 15 meses. Pouco mais de 3 filmes por mês.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Funcionários da Disney

Um dia desses li em um livro que as pessoas esperam em New York a mesma hospitalidade que receberam em Orlando, e que é por isso que elas se sentem mal na Grande Maçã.
É gostoso quando a gente lê uma referência dessas, com duas cidades famosas, pontos turísticos mundiais e pensa "ha, eu já estive nesta aqui", e também "ha, eu sei do que ele está falando". Porque eu senti e recebi a hospitalidade de Orlando.
Um dia desses me peguei pensando nisso, revendo mentalmente conversas, bem rápidas, que tive com os funcionários e atendentes dos lugares em que estive durante minha viagem. E percebi como tudo naquele lugar é absurdamente marcante - até mesmo esses papos rápidos, tudo contribui para o seu "Dream Come True".

São lembranças bobas, que emocionam só a mim - e talvez a alguém que tenha também viajado para lá. Mesmo assim, gosto de revê-las e comentá-las, com quem estiver afim de ler.
Teve por exemplo a moça fofa da loja do hotel, que não queria me vender um cartão telefônico, simplesmente porque para uma ligação internacional ele duraria muito pouco e ela não queria que eu desperdiçasse meu dinheiro. Ou o rapaz italiano que usou comigo várias palavras em sua língua nativa, mas que falou em inglês com a minha amiga (que sabe italiano).

Eu nunca esqueço do menino que me atendeu numa loja do Magic Kingdom. Ele devia ser mais novo que eu, uma carinha nova, feliz e cheia de espinhas. Teve uma conversa rápida sobre por que o meu botton de "1st visit" era da edição antiga (é emprestado de uma amiga) e, na hora de embalar o pinguim de pelúcia que eu comprava, quis colocá-lo numa sacola pequena demais. Quando percebeu que o boneco não entraria inteiro, deixou-o com os bracinhos e a cabeça para fora e me deu um sorriso de "olha, ficou engraçadinho".
Esse foi um funcionário fofo entre muitos com quem falei no Magic Kingdom - com o tempo, você percebe que na Disney não se diz "Good Morning" e sim "Hello", e que no Magic Kingdom a despedida mais usada é "Have a magical day!" (geralmente, uma sugestão aceita e seguida).

"No appetizers today?" é uma frase que eu me lembro na voz simpatissíssimo garçon do Planet Hollywood, no Downtown Disney. Essa e "Are you two sisters?" (acho que ouvi essa pergunta umas cinco vezes nessa viagem). Infelizmente, não me lembro do nome dele, embora eu goste de pensar que era Greg. Tampouco me lembro da frase que ele usou para perguntar se eu estava gostando do meu milkshake, mas lembro muito bem da resposta "YES!".

Teve também a Chantal, do hotel, que sorriu quando eu disse que gostava do nome dela. Ou a moça do oeste do país que estava atendendo a todos carrancuda, com cara de "it's not a magical day", até que eu perguntei de que estado americano era a sigla em seu crachá e ela desembestou a me falar sobre como era legal o lugar de onde ela vinha.

Na Universal também teve funcionários simpáticos, como o senhor da loja da Múmia, que começou a ensaiar um português estranho quando dissemos de onde vínhamos - "Tchau, amigo, obrigada!" (num sotaque americano, num senhor gordinho, isso fica uma graça).
E as meninas do Hard Rock Cafe - uma tentando obstinadamente convencer os brasileiros a dançar YMCA (comigo ela não precisou insistir muito) e outra nos contando sobre a área de shows e a sala do John Lennon, enquanto usava uma curiosa tiara de unicórnio.

Teve esses e outros, todos solícitos demais, simpáticos demais, sempre contentes em te atender, em estar ali, em fazer parte daquilo. Todos parte da magia. Todos parte da minha viagem.

Principalmente a Lilian - a moça que arrumou as nossas camas todos os dias e ainda deixou um bilhete de despedida quando fomos embora, terminando em "God bless you".



Memorável.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Holly e Luka




Gatos são como bebês. Só que mais legais.


Eles falam com você quando você está ocupada. Mas daí eles entendem que você está ocupada, deitam do seu lado e esperam quietinhos até que você possa dar atenção.
E então eles falam com você de novo. Mas, como bebês, eles não falam na sua língua. Você precisa decrifrar o que eles querem - porque outro ponto em comum é que eles geralmente só falam quando precisam de algo.
Mas eles sabem te mostrar o que eles querem. De alguma forma, eles conversam com você. Eles te entendem e se fazem entender. E às vezes, olhando nos olhos deles, você tem a sensação de que eles são exatamente como você, mas em um corpo diferente, com condições diferentes.
E por isso, mas não só por isso, eles te encantam.

Falar de gatos sempre nos faz parecer aquela velha solitária que tem pelo menos vinte em casa (e que vive só com eles, nem pensar em ficar com outros seres humanos). Assim como falar de bebês sempre nos faz parecer aquele personagem que tira as fotos dos filhos da carteira quando você pergunta (só por educação) sobre eles.

Amar gatos é algo que só se entende quando se ama gatos.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Conversas com estranhos

Apenas um motivo pelo qual eu as evito:



[no ponto de ônibus, na USP]
- Você trabalha aqui?
- Não, estudo.
- Direito?
- Não, Editoração.
- Ahhhh! "De coração" é bom, né, tem cada vez mais gente morrendo de infarte no Brasil.
- *morrendo de vergonha* É um problema, né?
- O meu pai mesmo morreu do coração... [relato sobre o que aconteceu ao pai dele] Alguns dizem que é genético, alguns dizem que não... é genético? *cara de quem está perguntando para uma especialista*
- Pois é, cada hora falam uma coisa, né... opa, chegou meu ônibus. Tchau!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Antipatia

Qual será que é o problema em não querer conversar com estranhos na rua?

Errado não é fugir das pessoas, errado é ficar importunando-as com papo-furado do tipo "nossa, que chuva, né?" em pleno temporal de verão em São Paulo.
Eu pareço um ímã para esse tipo de gente, sabe, que quer puxar conversa nas filas ou no ônibus a todo custo. E andar com um livro não adianta - só me deixa mais irritada, porque ninguém respeita um apreciador da literatura tentando se distrair.

Pelo menos o escritório novo não tem acessorista no elevador.





Terminei o post sentindo que soei mesmo muito antipática. Bom... c'est la vie!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Livros lidos em 2009

Vou registrar a lista aqui só porque assim que virar o ano eu a apago da coluna ao lado. ^^

Os filhos de Anansi, de Neil Gaiman.
Laranja Mecânica, de Anthony Burguess.

A forma do livro, de Jan Tschichold.
Artemis Fowl - O paradoxo do tempo; de Eoin Colfer.
Amanhecer, de Stephenie Meyer.

O triste fim do pequeno Menino Ostra, de Tim Burton.
Harry Potter and the Sorcerer's Stone, J. K. Rowling.

A menina que roubava livros, de Markus Zuzak.
A cidade do Sol, de Khaled Hosseini.
As bodas de Fígaro, de Beaumarchais.
Eclipse, de Stephenie Meyer.
Duas narrativas fantásticas - A dócil e O sonho de um homem ridículo; de Dostoiévski.
O Evangelho segundo Jesus Cristo, de José Saramago.
Olhai os lírios do campo, de Erico Verissimo.

Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago.
Os contos de Beedle, o Bardo; de J. K. Rowling.
Lua Nova, de Stephenie Meyer.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Disney - parte 3: O sonho

Eles não exageraram quando disseram que aquele é o lugar onde os sonhos se tornam realidade.
Ir para a Disney é se tornar criança de novo. É deixar o queixo cair centenas de vezes durante o dia. É repetir milhões de vezes "olha que lindo!".
É chorar de emoção ao ver o castelo. É chorar de emoção ao assistir um filme. É chorar de emoção ao ver um show. É chorar de emoção ao ver uma árvore esculpida.
Ir para a Disney é ser feliz todos os dias. É não querer se preocupar com porcaria nenhuma, porque nada, nada pode estragar aquele momento.
Ir para a Disney é ter certeza de que tudo à sua volta é real, é de repente acreditar mais naquele mundo fantástico do que em qualquer outra coisa que você já tenha visto. É participar de muitas aventuras diferentes no mesmo dia - viajar por vários países, sobrevoar a Terra do Nunca, atirar em alienígenas, fazer um safári, fugir de dinossauros - e se jogar de corpo e alma em cada uma delas.
Ir para a Disney é ver as coisas mais bonitas acontecendo, como quando uma criança vê a Bela e a abraça, da forma mais confortável, feliz e confiante que se pode abraçar alguém. Não como se fosse um ídolo ou um sonho, mas simplesmente como se aquela princesa fosse uma velha amiga que te traz muita alegria.

Voltar da Disney e se lembrar dessas coisas às vezes parece inacreditável. Às vezes, não. Às vezes simplesmente te dá uma sensação incrível de acolhimento. Acho que foi o mesmo que o menino sentiu quando abraçou a Bela.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Disney - parte 2: As pessoas

Alguns fatos sobre as pessoas nos Estados Unidos (os asteriscos indicam os fatos que eu acredito estarem relacionados especificamente ao fato de as pessoas estarem na Disney):

- Todo mundo está feliz. Todo mundo.*
- As crianças americanas fazem as mesmas brincadeiras que as brasileiras (como aquela de bater duas vezes na perna e depois fazer um sinal de proteger-se, carregar a arma ou atirar, sabe?).
- Eles pedem desculpas quando esbarram em você. Os únicos que encostaram em mim e não pediram desculpa eram do meu grupo.
- Os vendedores não te pedem ajuda com o troco. E te dão o troco inteiro, inclusive as moedas de 1 centavo.
- Os vendedores estão de bom humor.*
- Eles dançam quando ouvem YMCA. Só o refrão e sentadinhos mesmo, num intervalinho na refeição, mas dançam.
- Eles comem muita porcaria. Sem remorso algum, dão coxas enormes (de frango, de porco ou sei lá) para as crianças comerem.
- Eles brigam com o gerente e se viram para a coitada da brasileira ao lado exclamando "Six dolars is six dolars!!!".
- Muitos deles são gordos. Mesmo. Às vezes eles usam carrinhos para se locomover. E às vezes se parecem exatamente como aqueles personagens de Wall-E.
- Eles te encantam quando você percebe que, apesar de qualquer diferença, eles sorriem igualzinho a você quando veem o Mickey.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Disney - parte 1: Os sentidos

O que eu ouvi
foram todas as músicas dos filmes que me encantaram a vida toda - desde High School Musical até O Rei Leão, passando por Toy Story, Jurassic Park e até O Corcunda de Notre Dame. Foram crianças falando inglês ("Mommy, is that you?!"), vendedores se despedindo com "Have a magical day!". E, principalmente, regras de segurança ("Please remain seated with hands, arms,
feets and lags inside the vehicle") e de comodidade ("All the way down guys, fill all the empty seats, don't stop at the middle!").

O que eu cheirei
foram hambúrgueres e batatas fritas. Aos montes. Mas
também o cheiro delicioso do meu quarto (cheiro de ar condicionado, edredons gostosos e biscoitos do Wal-Mart) e da vegetação abundante. Também senti cheiro de cavalos e hipopótamos, mas esta parte não foi muito agradável.

O que eu degustei
foram mais hambúrgueres e batatas fritas. Sempre em maior quantidade do que eu podia aguentar. Por vezes houve também salada com frango e até comida italiana, francesa e inglesa, num dia atípico. E muita, muita Coca-Cola.

O que eu senti
foi muito calor, seguido de muito frio quando eu entrava em qualquer ambiente fechado, a ponto de a sensação de choque térmico não mais existir como um choque propriamente dito. À noite, o calor era gostoso, o ar úmido e agradável de noites bonitas de verão. E, é claro, muito vento no rosto nos momentos em que eu estava gritando e sendo movida em alta velocidade.

O que eu vi
foi isso:


terça-feira, 6 de outubro de 2009

O rádio

Eu ouvia Michael Jackson de manhã, enquanto ia para o metrô.
Todos os dias.
Geralmente era Heal the World.
Hoje eu ouvi Elton John. Song for guy.
Comecei a brisar.
Se o Elton morrer, vou começar a ouvir funk.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Bipolar

Ah, a sala. Fechada e comum, costumeira. Normalmente, eu a amo. Mas que tédio tantas vezes sinto nela! Começou a bater uma angústia. Aquele clima pacato me consumindo, uma agonia crescente.

E o mundo lá fora. Quando eu saí, fazia sol e, por um momento, eu me senti bem com o calor que eu comumente abomino. Depois do sol, vinha o ar agradável sob as árvores, que naquele lugar parecem todas pactuar para crescer entortando em direção à passagem, formando na pele da gente aquelas sombras que parecem desenhos de caleidoscópios. Me senti tão bem.

sábado, 5 de setembro de 2009

Projeto de drabble

Escrita para o Challenge de Drabbles do fórum 6V. Limite de 400 palavras, a minha tem 357. Ainda em fase de adaptação, aceito sugestões e críticas.


- Eu vou contar para a mamãe!
Ele correu escada abaixo, sentindo antecipadamente o prazer de entregar os irmãos.
Fred gritou, um degrau sumiu, Percy caiu.
Um joelho ralado, o choro, duas vozes idênticas.
- Bem feito!
- Seu nariz ‘tá com defeito!
E a garotinha ruiva, ainda usando fraldas, veio em sua direção, assustada com as lágrimas do irmão. Sentou-se ao seu lado, beijou seu joelho. E abraçou sua perna com força.
- Não chola, Pechy!

Montes de crianças e malas.
Correria e gritaria.
Tudo novo e empolgante.
Gui e Carlinhos procurando os amigos, Percy orgulhoso - de si mesmo.
O trem apitou, a mãe desabou.
Deu-lhe o abraço mais apertado e os beijos mais molhados que ele já recebera até então.
- Escreva para mim, querido! E comporte-se!
Percy obedeceu. As duas ordens.

Gina saiu da sala, após jurar fidelidade. O casal se olhou assustado. Os olhos dela se encheram de lágrimas.
A culpa era dela. Não era. Era. Não era.
A menina ia guardar segredo. Não ia. Ia. Não ia. Ia.
- Eu te amo.
Ela ergueu os olhos para ele, assustada. Percy sentiu as orelhas queimarem e o coração inflamar. Mas não desviou o olhar.
Penelope sorriu. Ainda com os olhos vermelhos, enterrou a cabeça em seu peito e o abraçou.

Estava escuro lá dentro, ele fechou a porta do dormitório e as cortinas de sua cama. Não podia acreditar, não podia suportar.
A vida sem Penelope era sem cor.
Mas umas mandrágoras resolviam.
A vida sem Gina era vermelha.
E nada resolveria.
Seus olhos, a cortina da cama, seu nariz.
Vermelhos.
Ele tinha brigado com a irmã naquela manhã.
Palavras e mais palavras, daquelas difíceis que Percy gostava de usar. Sobre consideração, confiança, vergonha, decepção, fardo. Todas as palavras que ele encontrou no seu acervo de mágoas instantâneas.
E agora ela se fora.
Primeiro Penelope, depois Gina.
Elas foram e a mãe estava vindo. Ele não conseguia imaginá-la. Não queria pensar nela.
Uma lágrima rolou por seu rosto, ele não sabia por qual das três.
Ele daria qualquer coisa por mais um daqueles abraços.
Mas, hoje à noite, só teria as lágrimas.


Agradeço à fofa da Pam pela betagem. ^^

sábado, 29 de agosto de 2009

A conversa dos outros

"Há também as conversas dos outros [...], que acabam se infiltrando nos nossos ouvidos quer gostemos ou não. Mas eu poderia fazer um post apenas sobre elas[...]"
Eu mesma, 3 de julho de 2009.


A começar por duas meninas a caminho da USP:
- Ah, não, aquela lá...
- ... ela não sabia nem diferenciar uma veia de uma artéria!
E as duas riram, muito divertidas.

Uma mãe, no metrô:
- Continua fazendo isso que você vai ver, quando tiver a minha idade, como você vai estar.
A filha, lá pelos seus 13 anos:
- Quando eu tiver a sua idade eu não vou estar mais nessa vida, não, eu vou casar com um homem bem rico e vou andar só de carro.
A amiga da filha:
- Já pensou, um homem rico, moreno de olho verde? Você tava feita!

Uma mulher conversando com a amiga atrás de mim:
- O meu namorado eu conheci lá na Indianópolis. Eu tava fazendo meu ponto quando ele passou e eu disse 'vou naquele'. A [fulana] disse 'mas ele não está nem de carro!' e eu respondi 'ah, minha filha, tenho que trabalhar'.
Para quem não é de São Paulo, Indianópolis é uma avenida com muita prostituição.

Um grupo de amigos conversava no fundo do ônibus, quando a única menina do grupo começa um verdadeiro interrogatório com um deles:
- !!! Você está pegando alguém?!
- É.
- Por que você não me contou? Quem é?
- Ah, uma mina aí...
- Ah, me conta quem é!
- Não...
- Conta, vai! Conta! Conta!
- Hm...
- Posso tentar adivinhar?
- Hm...
- É alguém que eu conheço? Tá na nossa sala? Como ela é?
Aqui não parece tão irritante, mas o interrogatório durou bem uns dez minutos. Eu tive muita vontade de socorrer o coitado do menino.

Um cara, para uma menina que esperava para descer, se segurando como podia enquanto o ônibus fazia suas rotatórias:
- Essas curvas são traiçoeiras, não?
A menina sorriu para ele, provavelmente reconhecendo um colega ou amigo que não tinha percebido ali.
- Quem fez essa USP não pensou nos ônibus, viu... - continuou ele.

Uma menina no ponto de ônibus falando mal das princesas da Disney:
- Não é só a Bela Adormecida, são todas. É uma mais ridícula que a outra, é a coisa mais machista que eu já vi na vida. A Bela então é terrível.
Eu já fiquei espantada e esperando o que diabos ela podia ter para falar da Bela.
- Imagina, tem um trecho da música que ela fala assim: *cantando* 'Madam Gaston, casar com ele. Madam Gaston, mas que horror. Jamais serei esposa dele, eu quero mais a vida do interior'. É uma mulher totalmente sem perspectivas!
Eu concordaria com a menina, mas não é isso que a Bela fala. Ela diz 'eu quero mais que a vida no interior'! Se tem uma princesa da Disney sem perspectiva na vida, com certeza não é a Bela. Que raiva, que vontade de gansar na conversa da menina!

Um cara sentado ao meu lado, falando para o outro:
- A diferença entre os seres humanos e os animais está na forma como fazemos sexo.

Duas amigas no ponto de ônibus:
- Às vezes uma mulher monogâmica, o marido dela transa com uma puta e ela pega AIDS. E eu, transando com cinco pessoas por ano e usando camisinha, não posso doar sangue! Fiquei puta!
- Mas você não pode mentir?


Agora não lembro de mais nenhuma conversa... mas já dá para vocês terem noção.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Ela disse adeus

Mas não foi que nem na música.
Ela disse adeus e não chorou. E ela tinha muito, muito amor.

Okay, na verdade ela não disse adeus. E nem eu. Porque adeus é muito triste. A gente disse tchau. Porque muito em breve nos veremos de novo.

Na hora, eu não fiquei triste. Eu estava ocupada demais pensando em como ela merece isso. Em como ela merece todas as experiências boas que a vida puder lhe proporcionar. Estava ocupada demais sentindo o carinho de seus abraços pela última vez em um ano.

Foi apenas ontem que a fixa caiu. Quando eu descrevia a minha amiga para alguém que provavelmente não vai conhecê-la. Eu falei da sua alegria e do seu charme. Eu pensei no seu sorriso e em como ela obriga todos ao redor a se apaixonarem por ela.
Foi a primeira vez em que fiquei triste por ela não estar aqui comigo. Não foi uma tristeza cem por cento. Eu sei que ela vai voltar muito chata e vai ficar mais chata ainda quando entrar na faculdade, e sei que eu deixarei de amá-la automaticamente quando isso acontecer.
Mas, por hora, eu ainda adoro aquela menina e não posso deixar de sentir falta dela.

Eu realmente espero que ela seja muito, muito feliz.

domingo, 9 de agosto de 2009

Um devido agradecimento

Sabe quando você gosta muito de fazer uma coisa, tanto que se oferece para ajudar os outros fazendo aquilo? Sabe quando você se diverte fazendo algo útil? Sabe quando você chega a se comprometer com as pessoas que fará aquilo para elas?

Bom, eu me comprometi. E a minha diversão era betar (revisar) as fanfics dos outros. Cheguei a fazer parte da equipe do 3V, recentemente extinto site de fanfics. Mas as autoras - e também amigas - que sempre me mandavam suas fics eram três: Jane Ravenclaw, Noah Black e Victoria Weasley. Elas foram muito amáveis e perdoaram todos os meus atrasos absurdos. Confiaram a mim os seus textos e me deixaram corrigi-los e comentá-los. Elas me deixaram ajudá-las e assim, mal elas sabem, me ajudaram muito.

No início do mês de Maio deste ano eu recebi uma ligação de uma produtora editorial e fui contratada para um serviço de freelance que estou fazendo há três meses. No início precisava-se de alguém que soubesse mexer bem no Word. A minha amiga, que já trabalhava no lugar, me recomendou - ela lembrou que eu passei muito tempo com o Word aberto lendo e corrigindo fics. Depois de dois meses de serviço, precisava-se de alguém para revisão de texto. E mais uma vez meu nome foi lembrado graças às minhas atividades de betagem.

Eu me sinto muito mal por ter negligenciado essas meninas. Não tive tempo para terminar suas fics, justamente devido às coisas boas que elas me trouxeram. Um dia desses eu cheguei a comentar, com uma das meninas, que eu tinha sumido porque me sentia mal de aparecer para falar com elas sempre com um "desculpa, prometo que até tal dia eu beto".

Elas são muito pacientes e legais comigo. Sem contar que me dão o privilégio de ser uma das primeiras leitoras de suas obras (que, por sinal, são muito boas). Então, em vez de implorar desculpas mais uma vez, eu agradeço. Agradeço muito a todas e desejo muito sucesso. Vocês são ótimas!

domingo, 12 de julho de 2009

Sexo

- São dois machos?
- Um macho e uma fêmea.
- Mas são castrados?
- Eles já tiveram filhos uma vez, daí eu castrei, se não, não dá.
- Ah, os meus eu castrei quando pequenos.

Ser bicho tem lá suas desvantagens.
Esses gatos, por exemplo. A mãe deles encontra com uma estranha qualquer na rua e começa a falar da vida íntima deles, na frente deles, enquanto a estranha acaricia suas cabeças. Coitados.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Nessa bumba eu não ando mais

Pegar ônibus é algo curioso. Há quem goste, há quem não suporte, há quem simplesmente o faça. Mas o que não se pode negar é que há algo de peculiar no dia-a-dia de passageiros de ônibus.

A começar pelo ponto.
Você já chega nele se apressando e, muitas vezes, praguejando. Se estiver muito vazio, ou é porque você pega ônibus no meio do nada (sorte sua) ou porque você chegou um minuto atrasado e terá que esperar o próximo. Se estiver muito cheio, significa que você pode vestir a sua farda.

A guerra do embarque
é um dos momentos mais tensos. Ela tem início ainda durante a espera pelo ônibus, quando você procura um lugar próximo à sarjeta. Um lugar que, por intuição, experiência, lógica ou mandinga, você pretende que seja exatamente onde ficará a porta da frente quando o ônibus parar.
Então ele chega. Se parar na sua frente e você for o primeiro entrar, parabéns, você teve a sua primeira conquista de hoje! Se não, bem-vindo ao resto das trinta e duas pessoas que estão revoltadas se empurrando para entrar antes das outras. Mas não fique magoado se ficar entre essas pessoas. Veja pelo lado positivo: pelo menos o seu ônibus não parou atrás de um outro que não te interessa e, portanto, bem para trás do ponto, o que geralmente te colocaria exatamente na ponta oposta à que você costumava ficar na fila.

Então você entrou no ônibus,
após esperar as pessoas que entram e, como você, vão andando bem devagar e espichando o pescoço para tentar descobrir se há lugares livres depois da catraca (afinal, um dos grandes pavores dos passageiros, mesmo dos mais esportistas e saudáveis, é ser obrigados a viajar em pé). Se não houver, você tem que decidir entre:

1 - Passar a Catraca
Neste caso, você fica em pé. Se tiver sorte, alguém se oferece para segurar a sua mochila. Você pode aceitar e tirar o peso das costas (ou das mãos, onde você certamente a estava carregando, não para evitar furtos, mas para não atrapalhar os outros usuários, que você respeita demais) e entregar à pessoa. Mas aí você se sente obrigado a viajar perto da pessoa enquanto estiver em pé. Em vez disso, você pode escolher por si só onde vai viajar em pé e, usando das habilidades preconceituosas que eu sei que você tem, posicionar-se estrategicamente perto de alguém com cara de que vai descer antes de você. (No meu ônibus para a USP, por exemplo, não vale a pena esperar que alguém de mochila desça antes do campus, muito menos se for um japonês.)

2 - Ocupar um acento preferencial
O que sempre gera polêmica. Afinal, se um idoso ou uma mulher grávida entrar você com certeza cede o lugar (se você for uma pessoa decente que não finge estar dormindo). Mas e se entrar alguém mais ou menos idoso ou uma mulher mais ou menos barriguda? Aí sim, você tem que usar não as habilidades preconceituosas que eu sei que você tem, mas o bom senso e a intuição. Aí ferra tudo! Você sempre corre o risco de a pessoa se ofender. Sempre. Há quem diga que o melhor a se fazer é levantar-se e não dizer nada. Se a pessoa se achar "preferencial", ela senta. Mas aí você corre o risco de que aconteça o que me aconteceu um dia desses: o velhinho não sentou e outra menina pegou o meu lugar.

3 - A fusão dos dois, que é a minha preferida
Pegar um acento preferencial no fundo do ônibus. Você até cede o seu lugar - se o velhinho chegar até lá e ninguém oferecer o acento antes!

Outras coisas que rolam dentro do ônibus
Gente despencando de sono no seu ombro. Você sempre fica muito sem graça, mas não há como ficar bravo com a pessoa, a não ser que você nunca tenha durmido no ônibus. Se você já acordou despencando para cima de alguém, sabe que a vergonha dispensa qualquer repreensão.
Uma coisa desagradável e que é feita por gente bem acordada é ouvir música sem fone - ou seja, colocar trilha sonora para a viagem alheia segundo os seus próprios gostos - que costumam ser funk, pagode e techno; nunca topei com alguém que ouvisse Pink Floyd alto no ônibus. No máximo Michael Jackson, mas aí dá raiva porque você lembra que aquela pessoa só começou a gostar dele porque ele morreu. ¬¬"
Há também as conversas dos outros ("os outros", que você começa a reconhecer após um tempo na mesma linha), que acabam se infiltrando nos nossos ouvidos quer gostemos ou não. Mas eu poderia fazer um post apenas sobre elas, a começar pela menina que dizia à outra, como se fosse a melhor piada do mundo: "Ela não sabia distinguir uma veia e uma artéria! Hahahaha!"

Muitas outras coisas acontecem no ônibus. Mas eu não posso citar todas elas aqui porque eu dormi e quase perdi o ponto - e essa distração me valeu principalmente a perda da criatividade para finalizar posts. Acontece nas melhores famílias.


Para ler sobre o maravilhoso mundo do metrô, veja este post no blog da Juh.